[RESENHA] Recursão

Olá pessoal! Estou de volta trazendo para vocês a resenha de mais um livro espetacular de Blake Crouch. Vocês sabem bem qual é: Recursão!

Pouco mais de 3 anos atrás eu trouxe a resenha de Matéria Escura, o primeiro livro que a Intrínseca publicou do autor por aqui. Foi uma experiência incrível, de explodir a cabeça e ainda assim tranquilo de compreender, mesmo com tanta informação na nossa cara o tempo todo. Passado esse tempo, finalmente resolvi me aventurar em Recursão, que foi lançado no início desse ano. E que leitura!

No livro temos dois protagonistas. O primeiro deles, Barry Suton, é um policial que vive a tristeza pela perda da filha. Um certo dia ele é acionado para intervir em uma tentativa de suicídio de uma mulher. Lá ele descobre que ela está sofrendo de uma doença conhecida como Síndrome da Falsa Memória (SFM), que de alguma forma implanta na mente das vítimas lembranças vívidas de uma vida que elas nunca viveram.

A outra protagonista é Helena Smith, uma neurocientista que dedica a vida a desenvolver uma tecnologia que permita trabalhar em uma cura para o Alzheimer. Entre muitas frustrações, um homem extremamente rico se oferece para financiar seu projeto e finalmente ter um rumo na pesquisa, que pode resultar em uma grande ajuda para a humanidade.


Nada acontece como esperado e os caminhos dos protagonistas terão que se cruzar para conseguirem salvar a todos.

Confesso que eu não estava com tanta expectativa assim para a leitura de Recursão. Por algum motivo, de início, a sinopse não chamou minha atenção e acabei adiando o livro por um bom tempo. Até que comecei a ir atrás de ver algumas opiniões. Fui imediatamente fisgado pela vontade de ler logo a obra. Daí vem o clássico questionamento: Como eu não li isso antes?!

Acredito que, como em Matéria Escura, Blake Crouch conseguiu mais uma vez trazer questões aparentemente complexas para uma narrativa ágil e que tenta, no que é possível, deixar o leitor ciente de tudo o que está acontecendo, mesmo que em uma olhada rápida pareça ser algo confuso. Com um pouco mais de atenção que o normal é possível entender os conceitos apresentados e, principalmente, não se sentir totalmente perdido na principal premissa do livro: viagem no tempo através das memórias.


Recursão é um livro que, com muito sucesso, consegue dar uma aula de narrativa sem cair no perigo de parecer apenas mais uma obra presunçosa, querendo ser maior do que realmente é. Praticamente a cada capítulo recebemos novas informações, novos conceitos e muitas reviravoltas. E tudo isso vai se acumulando de tal forma que, de repente, a trama ganha uma magnitude que eu jamais esperava, com acontecimentos em escalas gigantescas que ameaçam a vida como a conhecemos.

Os personagens são um ponto fortíssimo. Barry, como sabemos, perdeu a filha, separou-se da esposa e encontra dificuldades em seguir o rumo da sua vida. O acontecimento do suicídio da mulher com SFM acaba por desencadear possibilidades que levam ele rumo a algo muito maior do que ele esperava. É um personagem muito bem construído. Mesmo que em certo ponto da narrativa ele acabe por perder espaço para o protagonismo de Helena, sua importância é enorme, principalmente nos capítulos finais.

Helena rouba a cena. Ela é a responsável por desenvolver a tecnologia, com o apoio do extremamente rico Marcus Slade, que vai permitir que as pessoas possam acessar memórias e voltar no tempo através delas. Um propósito muito maior do que encontrar a cura para o Alzheimer, não? Ela também não esperava chegar tão longe e logo percebe os problemas que isso pode trazer caso caia nas mãos erradas. Como a principal mente por trás de tudo, Helena está sempre em evidência e é dela que partem as principais tentativas de encontrar uma solução para a Síndrome da Falsa Memória (e futuramente algo muito maior) e em como ela acontece por conta das inúmeras viagens no tempo e mudanças de realidade.

Essas viagens no tempo podem até soar um pouco confusas e nos deixar perdidos, principalmente por acontecerem MUITAS VEZES ao longo da trama. Aos poucos vamos pegando o ritmo e entendendo os conceitos da ciência que nos é apresentada no livro e de como ela está afetando a todos. E algo interessante, apresentado pelo próprio Marcus Slade, que, por sinal, é o principal antagonista, é o fato de que é necessário viajar e viver muitas vidas para entender a real dimensão da realidade, do tempo e de tudo o que está acontecendo. É impressionante como o livro é construído para nos levar justamente a esse ponto.

Uma das poucas coisas que me incomodaram ao longo da leitura foi uma inconsistência na atitude dos protagonistas em um certo ponto. Estava acostumado a atitudes, senão precavidas, ao menos um pouco cuidadosas, até que em um capítulo, com muita cara de recurso para trazer drama, esse cuidados simplesmente deixaram de existir. Ambos estavam em uma posição de saber o que e quando aconteceria algo, mas negligenciaram isso. Foi no mínimo estranho, considerando que tanto antes quanto depois o drama se apresentava de forma muito mais natural e esses mesmos personagens sempre tomavam decisões rápidas e precavidas. 


A escrita de Blake Crouch é excelente, fluida e ágil. Ponto também para o excelente trabalho de tradução de Sheila Louzada.

Ainda que tenha um final um pouco conveniente demais, Recursão é mais um livro imperdível e que com certeza estará entre os melhores do ano para muitos leitores.

Autor: Blake Crouch | Editora: Intrínseca | Páginas: 320 | Ano: 2020


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