[RESENHA] As outras pessoas


Olá pessoas, como estão? Acho que estou conseguindo manter um bom ritmo nas minhas leituras e vou conseguir trazer resenhas com uma frequência maior aqui para o blog. A de hoje é do livro As outras pessoas, de C.J. Tudor.

Confesso que ao terminar a leitura do primeiro livro da autora, O homem de giz, eu não era exatamente o leitor mais interessado do mundo em ler algum outro livro dela. Por isso pulei o segundo lançamento e só vim dar uma nova chance no terceiro, que tem uma premissa que acabou chamando minha atenção.

As outras pessoas vai nos contar a história de Gabe, um pai desesperado após o desaparecimento da filha e a morte da esposa. Na verdade a filha também foi dada como morta, mas ele afirma tê-la visto através do vidro traseiro de um carro, que desapareceu em meio ao trânsito na rodovia enquanto ele voltava para casa no fatídico dia. Desde então, obsessivamente, ele continua dirigindo pelas rodovias em busca de qualquer pista que o leve até a filha, que ele tem certeza de que está viva.

Enquanto isso, mãe e filha fogem desesperadamente e sem destino de um perigo que pode estar escondido mais próximo do que elas imaginam. E uma garçonete de beira de estrada vive seus dias, um atrás do outro, em uma rotina monótona. Todas essas histórias vão se encontrar de alguma forma e os principais segredos dos personagens começarão a ser revelados.


C.J. Tudor consegue, mais uma vez, nos entregar uma obra que é extremamente fácil de se ler e acompanhar seu ritmo, com capítulos curtos, escrita fluida e que não perde tempo com detalhes desnecessários. Mas talvez essa seja a única semelhança que As outras pessoas tem com O homem de giz.

É notável a evolução da autora no ponto mais problemático de sua obra de estreia: seus personagens. Enquanto no primeiro livro eles careciam de personalidade e profundidade, neste terceiro livro todos eles tem boas camadas e desenvolvimentos. Gabe é amargurado, triste e desesperado, obcecado em encontrar sua filha Izzy e, ao longo das páginas, conseguimos ver isso ser bem transmitido para o leitor, bem como sua evolução ao longo da trama, de acordo com o ritmo das revelações.

Posso falar o mesmo de Fran e Alice, a mãe e filha que estão em fuga. Aos poucos vamos entendendo suas motivações, seus segredos e do que elas estão fugindo. Fran, principalmente, tem em seu passado fatos que afetam diretamente seu presente, e ela precisa encontrar uma forma de resolvê-los para que possa seguir em paz com a filha. Já Alice, com sua importância que, convenhamos, é extremamente óbvia, é também a justificativa que a autora encontra para encaixar o elemento sobrenatural que ela tanto adora, mas que aqui não faz sentido algum. É bem desnecessário e sua contribuição para a trama é praticamente nula, com uma explicação para sua presença feita às pressas no final.

Por fim a garçonete, Katie, que dos principais personagens, é a que mais demora para ter explicada sua presença na trama e sua real importância só é completamente justificada do meio para frente. Ela cuida sozinha dos dois filhos, leva uma vida aparentemente normal e de repente se vê envolvida em algo grande e perigoso.


O livro ainda aborda um pouco a presença da DeepWeb no mundo e de como é possível encontrar de tudo por lá, inclusive encomendar vinganças. Sua presença tem justificativa, mas confesso que sua importância, apesar de central para a trama e com a mensagem de que é um problema que não tem fim, não teve a presença que eu achei que teria. Ainda assim gostei da forma com que ela é tratada.

O desenvolvimento da narrativa é ótimo. Ainda que algumas coisas sejam previsíveis, principalmente em relação aos personagens, a forma com que as coisas vão acontecendo é um destaque da trama. Há quase sempre um gancho de um capítulo para outro. Sem contar que acontecimentos secundários, principalmente do passado dos personagens, mostram-se fundamentais, tanto para a construção dos mesmos como para a trama.

O sobrenatural é totalmente descartável. Há uma tentativa de criar uma ligação entre Alice e outra personagem, mas seria algo muito mais crível se houvesse um pouco mais de cuidado na construção deste elemento. Da forma que foi feita e resolvida, pareceu somente algo jogado.

Foi uma leitura instigante e até agora o melhor da autora. Seu desenvolvimento ágil, trama interessante e personagens bem construídos contribuem para uma boa imersão na leitura. Vale destacar, assim como venho fazendo nas últimas resenhas, o excelente trabalho de tradução, desta vez de Giu Alonso, que é fundamental para manter as características da autora. Recomendadíssimo!

Autora: C.J. Tudor | Editora: Intrínseca | Páginas: 304 | Ano: 2020


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