[RESENHA] Coraline


Olá pessoal! Coraline acaba de ganhar um nova casa no Brasil, com uma edição digna de todo o amor que leitores do mundo inteiro tem por esse que já é um dos maiores clássicos de Neil Gaiman. E eu não poderia deixar de aproveitar o momento e trazer a resenha para vocês.

Já começo falando o seguinte: é incrível como Coraline, com quase 20 anos desde seu lançamento - foi lançado em 2002 - continua sendo uma história cativante, divertida e com tantas lições ao longo das páginas!


Todo mundo já sabe do que se trata, mas não custa nada relembrar: Coraline acaba de se mudar com seus pais para uma nova casa, um casarão que conta com vizinhos excêntricos e uma porta misteriosa que esconde um grande perigo.

Atrás dessa porta ela encontra um ambiente familiar, mas diferente. Fascinante e macabro. Uma outra mãe e um outro pai, mas com um detalhe assustador: grandes botões negros no lugar dos olhos, que passam uma sensação inquietante para a pequena garota. Comida deliciosa, brinquedos e muitas coisas surreais que a encantam, até ela perceber que ali não é nada do que aparenta ser e que se livrar de uma vez por todas não será nada fácil. Voltar por uma porta nunca foi tão difícil para Coraline.


Um dos grandes e mais deliciosos detalhes na leitura de Coraline é o quanto a narrativa de Neil Gaiman é fluida (dando destaque também para o trabalho de tradução de Bruna Beber, que mantém essa essência do autor) e nos apresenta cada detalhe de forma simples e ainda assim não deixa o leitor com a sensação de que está faltando algo. Tudo o que lemos é o que precisa ser contado, da primeira até a última página. E de fato, eu não lembrava de um detalhe: Coraline é um livro que não termina de contar sua história até o último momento.

A protagonista Coraline é encantadora. Uma criança curiosa, aventureira, inteligente e com ótimas sacadas. Eu adorava ver a personagem interagindo com cada um dos demais apresentados: Senhoritas Spink e Forcible, o gato, os pais, os outros pais. No texto há sempre uma resposta inteligente que reforça ainda mais essa sua personalidade.

E tudo fica ainda melhor quando ela se vê frente a frente com situações que lhe causam medo. O brilho da personagem fica ainda mais evidente e sua forma de enfrentar cada um dos desafios nos dá uma certeza: é impossível não se admirar com a pequena Coraline.

Porque coragem é quando você sente medo de fazer algo, mas faz mesmo assim, é quando você enfrenta o medo.

A outra mãe, a grande vilã, é outro destaque da obra. No início, apesar dos indícios de perigo, poderíamos até pensar que tudo bem toda aquela amabilidade, era uma forma estranha de dizer que amava a menina - mesmo que elas tenham se visto pela primeira vez há pouco tempo - mas não demora muito para que Neil Gaiman comece a nos apresentar aos poucos os detalhes que vão transformando a personagem em algo a ser verdadeiramente temido.

Se tudo o que acontece é fruto da imaginação da pequena garota, provavelmente nunca saberemos. O mais importante são todas as mensagens que a obra passa, com lições sobre como enfrentar medos e ter coragem, sobre descobrimento, saber quem você e as pessoas ao seu redor são, com todas as qualidades e defeitos. Coraline é um livro que encanta e continuará encantando gerações e mais gerações de leitores. Um clássico indispensável de Neil Gaiman.


A edição da Intrínseca está um primor. Capa dura, corte colorido e lindas ilustrações de Chris Riddell, além de vários pequenos detalhes no projeto gráfico.

Espero que tenham gostado da resenha. Até a próxima.

Autor: Neil Gaiman Ilustrações: Chris Riddell | Editora: Intrínseca | Páginas: 224 | Ano: 2020


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