[RESENHA] O Silêncio da Cidade Branca


Olá pessoal, como vão? Voltei para mais uma resenha, de mais um Thriller Policial lançado recentemente pela Intrínseca: O Silêncio da Cidade Branca de Eva García Sáenz de Urturi. Mais uma obra surpreendente e o primeiro de uma trilogia.

20 anos depois de uma série de assassinatos aterrorizar a cidade de Vitoria, no País Basco, eles voltam a acontecer, com características extremamente semelhantes (sempre um homem e uma mulher, com a mão no rosto um do outro, idades múltiplas de cinco, sobrenomes compostos da região, nus e expostos em algum lugar histórico da cidade) justamente quando o condenado pela primeira onda, Tasio Ortiz de Zárate, está a poucas semanas de sair da prisão. Cabe a Unai López de Ayala, especialista em perfis criminais, investigar as mortes e provar de uma vez por todas a autoria dos crimes.


Não demora muitas páginas para O Silêncio da Cidade Branca prender o leitor com o mistério que está por vir. As características dos crimes e a possibilidade de uma condenação injusta do condenado 20 anos atrás, Tasio, torna cada personagem diretamente ligado a ele suspeito, inclusive seu irmão gêmeo, Ignacio, que na época era o responsável pela investigação do caso e foi o responsável por prendê-lo.

Tasio e seu irmão, Ignacio poderiam ser considerados praticamente celebridades na cidade. Ricos, sempre carismáticos, de sorriso fácil e rodeados de pessoas, eram inseparáveis em praticamente tudo o que faziam. Os crimes voltarem a acontecer traz tudo isso a tona novamente, desperta a suspeita em Ignacio, e também a possibilidade do próprio Tasio ter um copiador ou ser mentor do novo assassino.

E é seguindo todas essas e outras possibilidades que vamos acompanhando a investigação realizada por Unai e sua parceira, Estíbaliz. Marcado por um sofrimento recente, o investigador lança mão de qualquer possibilidade para ajudar na investigação. Qualquer pista é válida, mesmo que isso o leve ao erro ou o mantenha correndo em círculos sem saber por qual linha de investigação seguir.


Ao mesmo tempo, somos transportados para os anos 70, época em que Blanca Díaz Antoñana engravidou dos gêmeos. Esses momentos são extremamente importantes, nem tanto para a construção de Tasio e Ignacio como personagens, mas para dar contexto histórico e trazer pontos importantes que no futuro farão toda a diferença na investigação. Eram alguns de meus momentos favoritos durante a leitura, que ao longo dos capítulos iam trazendo novas informações e acontecimentos, sempre surpreendendo.

A narrativa é repleta de detalhes históricos de Vitoria, que ganha vida nas páginas e é perfeita para aqueles que gostam de ter o livro de um lado e o telefone no outro para ter detalhes visuais dos lugares históricos por onde a trama passa. E não é só por apelo visual que temos esse elemento. Eles servem como palco para os crimes, que eram contextualizados na linha do tempo da história da cidade.

Eva García tem uma escrita fácil de acompanhar, ainda que traga muitas informações vez ou outra. O importante aqui é destacar como todos os personagens são bem escritos e desenvolvidos. O protagonista tem um ótimo desenvolvimento, assim como sua parceira e demais personagens, como a subdelegada Alba Salvatierra, interesse romântico de Unai, além, claro, dos gêmeos e outros.


Gostaria de destacar também as brincadeiras que a autora fazia, flertando um pouco com o sobrenatural, principalmente na relação do protagonista com o avô dele. Com exceção de algumas situações em que não dava para duvidar do que acontecia era real, várias vezes a semente da dúvida ficou na minha cabeça, imaginando se era coisa da mente do protagonista ou aquilo estava realmente acontecendo. De qualquer forma, foi um elemento a mais que ajudou a trazer algo místico para a narrativa, sem ficar sobrando. Uma ótima adição.

A resolução de tudo não chegou a ser algo surpreendente, já que aos poucos, mesmo antes do final, vamos recebendo pistas do que realmente aconteceu, além das motivações para tudo. Ainda assim os capítulos finais nos reservam ótimas surpresas e momentos de tensão.

O livro recebeu uma adaptação pela Netflix, que eu inclusive tentei assistir. Já adianto que não vale a pena. É tudo muito corrido, poucas apresentações e escolhas no mínimo questionáveis para contar a história. Para quem já viu o filme e pensa em dar uma chance ao livro, o momento é esse.

E é isso. Espero que tenham gostado da resenha. Até breve!

Autor: Eva García Sáenz de Urturi | Editora: Intrínseca | Páginas: 416 | Ano: 2020


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