[RESENHA] Mundo em Caos


Olá pessoal, como vão? Hoje venho aqui trazer a resenha de uma leitura que me surpreendeu bastante, positivamente falando. Falo de Mundo em caos, uma distopia que já tem um tempo considerável de existência e um sucesso reconhecido no mundo inteiro.

Passado todo aquele hype de distopias, que durou até um tempo atrás, a Intrínseca resolveu apostar na volta ao mercado de Mundo em Caos de Patrick Ness. Ultimamente tenho andado um pouco chato na hora de escolher as minhas leituras, então resolvi encarar esse livro com a expectativa um pouco baixa, mesmo sabendo do histórico dela. Distopia já há algum tempo não é um gênero que me interessa tanto, mas de alguma forma acabei dando a chance à narrativa do Novo Mundo. E que grata surpresa!


A história vai acompanhar o jovem Todd Hewitt, um garoto no meio de um mundo onde só existem homens. Um germe brutal dizimou todas as mulheres e fez com que o silêncio nunca mais existisse ali. Todos podem ouvir os pensamentos uns dos outros, até dos animais. Ele vive em Prentisstown, uma cidade no Novo Mundo que parece estar morrendo aos poucos. Todd é o único garoto, mas prestes a completar seus 13 anos de idade e, segundo as leis da cidade, ser finalmente um homem. Obviamente, as aparências enganam e segredos se esgueiram por trás do caos dos pensamentos ruidosos dos homens.

Todd tem a companhia de Manchee, seu simpático cachorro, que, é claro, também fala. Lembram quando eu disse que até os pensamentos dos animais dá para ouvir no Novo Mundo? Então. Manchee por si só já é uma figura e tanto, e é de impressionar o quanto Patrick Ness soube criar uma personalidade tão divertida em um "cachorro falante" que na maior parte se comunica repetindo incessantemente as palavras que pulam de seus pensamentos.

Voltando ao resumo básico também conhecido como sinopse. Um certo dia, Todd se depara com algo que vai mudar para sempre tudo o que ele pensava sobre o mundo em que vivia: uma garota! A partir desse ponto, a narrativa se torna uma sucessão de acontecimentos, fuga, ação e bastante história a ser revelada para os protagonistas e ao leitor.


Séries mais comerciais, ou famosas, tendem a apostar bastante em grandes reviravoltas para prender o leitor ao longo de dois, três ou mais livros. Esse primeiro volume de Mundo em Caos prova que é possível manter o leitor preso às páginas e, mais importante ainda, ficar com vontade de ler o mais rápido possível a continuação (Alô Intrínseca! Sei que lançou esse ano, mas já pode lançar o próximo haha) sem recorrer indiscriminadamente a esse recurso. Não há grandes reviravoltas aqui, não para mim, pelo menos. Sim, temos revelações importantes, mas grandes e expetaculares, ou os famosos Deus Ex-Machina, não! E olha que por vários momentos eu me peguei pensando: "olha só, é aqui que vai acontecer uma grande virada na situação, certeza!" E confesso que em somente uma situação específica (e triste) eu torci para que isso tivesse acontecido.

A estrela do show é a jornada por um mundo desconhecido para nossos protagonistas, os jovens Todd e Viola. E por falar nela, só quero acrescentar que não vou falar muito sobre ela para não dar spoilers. Os dois juntos são uma dupla adorável e interessante de acompanhar. É uma jornada de descoberta e criação de fortes laços capazes de resistir a grandes desafios. E mesmo assim, não, não sobra muito espaço para situações de grande esperança ao longo da leitura. Ficamos presos, mas também angustiados por acompanhar dois protagonistas tão jovens em situações bastante desafiadoras física, emocional e psicologicamente. Nada extremamente profundo, mas ainda assim impressionante.

Acho que Mundo em Caos também tem seus deslizes. Em alguns pontos ela pode ser repetitiva, principalmente em relação a um dos antagonistas da trama. Depois de um tempo, comecei a achar que a presença dele passou do recurso de crescimento do personagem, para o repetitivo e nada surpreendente, para depois voltar ao ponto inicial quando poderia facilmente ter sido dispensado da mesma forma da trama capítulos e muitos capítulos antes.

Fora esse detalhe, é uma leitura incrivelmente surpreendente, prazerosa (apesar do sofrimento dos protagonistas) e que desperta curiosidade sobre o Novo Mundo. A utilização do Ruído (como é conhecido na trama todo o caos que vem dos pensamentos dos homens) dentro da narrativa é muitíssimo bem trabalhada, o que mostra que Patrick Ness sabia bem o que estava fazendo.

O final conseguiu me surpreender e deixa um ótimo gancho, que, mais uma vez, não é nenhum Deus Ex-Machina, para o próximo volume. E já estou ansioso para a chegada dele.

É isso, espero que tenham gostado e até breve!

Autor: Patrick Ness | Editora: Intrínseca | Páginas: 480 | Ano: 2019

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