[RESENHA] O Construtor de Pontes

Markus Zusak não poupa os leitores que dão chance e seguem a leitura de suas obras. Dono de uma forma diferente de narrar suas histórias, o autor vem com "O construtor de pontes" para dizer que é capaz de escrever algo tão marcante quando o seu maior bestseller, "A menina que roubava livros". Será que foi uma boa leitura?

"O construtor de pontes" é absolutamente marcante e tocante. Mas, preciso dizer, é realmente necessário que o leitor embarque de cabeça na obra. Os capítulos saltam entre presente e passado, dão pistas de capítulos futuros e ficam nessa alternância de acontecimentos do início ao fim. Mas não achei tão difícil assim de fazer as devidas associações, principalmente por conta do autor ter o cuidado de não confundir demais o leitor. Talvez uma leitura não linear incomode a muitos, mas no caso desse livro, ela funciona muito bem para entender as motivações dos personagens.


A família Dunbar é a estrela. Clay Dunbar, o quarto de cinco filhos, é o protagonista. Matthew, o filho mais velho, é quem conta as histórias, narradas a ele por Clay, que, por sua vez, ouviu parte delas dos pais, Penny e Michael Dunbar.

A vida da família muda de uma hora para a outra. Do dia para a noite. Os cinco meninos precisam, na pouca idade, começar a amadurecer e a lidar com as dores da perda e do abandono. Passam de uma família feliz para cinco garotos aprendendo como viver a vida sozinhos.

Depois da morte de Penny, Michael abandona os cinco e some, até que um dia retorna para pedir algo: ajuda para construir uma ponte. Quatro dos filhos simplesmente ignoram o pedido, mas eles sabem bem quem estaria disposto a seguir em frente com a ideia do homem que os abandonou: Clay, o quarto filho, amante de histórias, que se preparou a vida toda para algo que não sabia. Que saía correndo pelas ruas a procura do pai que um dia abandonou os filhos e sofrendo em um silêncio desnorteado pela morte da mãe.


É uma família completamente desajustada. Cinco meninos vivendo uma vida não tão improvável para os dias atuais. Uma história bem recheada de momentos bem humorados, brigas cruéis e malucas entre irmãos e, claro, um bem dosado drama.

Durante toda a leitura fiquei com a sensação de um nó na garganta. "O construtor de pontes", mesmo com seus alívios cômicos e momentos mais leves, não poupa os personagens e o leitor do drama e sofrimento. Sem drama gratuito, mas nada de muitas flores ao longo das páginas.

Os personagens são incríveis. Cada irmão com sua personalidade, todos cativantes. O mesmo para alguns coadjuvantes e outros mais presentes fora do círculo dos cinco irmãos.

"O construtor de pontes" não é um livro simples, mas também não chega a ser complexo. Quando envolvido com a narrativa, é fácil se identificar com os personagens, se emocionar com os acontecimentos, e toda infinidade de sensações que os livros de Markus Zusak proporcionam a seus leitores.

Incrível e comovente, esse é "O construtor de pontes".

Autor: Markus Zusak | Editora: Intrínseca | Páginas: 528 | Ano: 2019

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