[RESENHA] Todo o tempo do mundo


Oi gente, tudo bem? Voltei novamente com mais uma resenha para vocês. Hoje trago um livro de um autor nacional, que já elogiei bastante com seu lançamento anterior, "Surpreendente!". Pelo título do post, já sabem: "Todo o tempo do mundo", de Maurício Gomyde.
Felicidade é ter certeza de que as pessoas que a gente ama estarão para sempre ao nosso lado.

Quando li a sinopse de "Todo o tempo do mundo" pensei logo: Hmm, será que ele irá conseguir chegar perto do que foi "Surpreendente!", tanto para mim (foi minha melhor leitura em 2015 e um de meus livros favoritos da vida), quanto para os outros milhares leitores que leram, se divertiram e emocionaram com a história de Pedro Diniz? Fiquei cozinhando a compra por algumas semanas, até que resolvi adquirir o livro. Em seguida, mais umas poucas semanas adiando a leitura, até que decidi pegar ele para ler. Isso aconteceu ontem! Já dá para imaginar o que achei da leitura, certo?


Conseguem imaginar o que é viajar no tempo? Conseguem ir mais fundo ainda e imaginar viajar no tempo toda vez que você ficar feliz ou triste? É isso que acontece com nosso protagonista, Vitor Pickett. Quando ele fica feliz, volta no tempo, podendo ser segundos, minutos, horas ou dias. E quando triste, ele avança no tempo. Tudo se manifestou pela primeira vez na noite de sua festa de formatura da 8ª série, quando beijou Amanda pela primeira vez, a mesma noite que, para ambos, até aquela altura, foi a mais feliz e triste de ambos. Vitor descobriu que Amanda iria se mudar para o Quênia na manhã seguinte.

Passados vinte anos, Vitor agora é dono de uma pequena vinícola em uma cidadezinha no sul do Brasil, vive uma vida pacata e tranquila, acreditando que Amanda morreu em um atentado, já que o carro dos pais dela, no Quênia, foi encontrado entre os destroços, com quatro pessoas a bordo. Ela, na verdade, vive em Buenos Aires, casada com um Deputado local e sobreviveu ao atentado por, instantes antes de um carro bomba explodir, ela ter saído do carro para encontrar uma amiga.

Com os desencontros tramados pelo destino, a vida dos dois segue em diante. Sozinho, Vitor não entende bem o que é a felicidade genuína, e não parece muito disposto de seguir em frente em busca de descobrir. Amanda percebe que seu casamento não é mais o que costumava ser. Somente o emprego como gerente da sessão infantil da livraria mais bonita do mundo, El Ateneo, consegue fazer com que ela se distancie de seus problemas por algumas horas do dia, que ela busca prolongar o quanto for possível.


Maurício Gomyde conseguiu mais uma vez! Que leitura maravilhosa. As palavras que o autor imprime nas páginas do livro são firmes e decididas na condução da narrativa. Sem hesitar ele segura o leitor pela mão e o transporta por páginas e páginas, para o passado e para o presente, segundos, horas e dias. A história salta de um acontecimento a outro de uma maneira que deixa o leitor sem fôlego, ao mesmo tempo que ele não consegue conter um sorriso ou se emocionar com personagens tão verdadeiros. Só sei que só queremos mais e mais.

A agilidade da trama é impressionante e a maneira com que se mantém, escrita de forma simples, só a faz mais cativante, emocionante e encantadora. Pode até parecer coisa de Fanboy, mas é impossível não se sentir satisfeito e feliz com a habilidade narrativa de Maurício, que de fato transporta os leitores para as páginas de seus livros e nos mantém imersos em palavras, momentos e sentimentos.


Não tem como não se identificar com os dois protagonistas. É angustiante ver Vitor bem sucedido e feliz, mas sem ter certeza do que é a felicidade genuína. Da mesma forma Amanda, que achava ser feliz, mas sente-se oprimida por um marido deslumbrado pelo status da política e que pouco se importa com o que ela faz ou com ela mesma. Quando chega o momento do reencontro, temos certeza de que nada vai conseguir impedir os dois de seguirem o coração, independentemente dos encontros e desencontros.

Devo destacar o desenvolvimento de Amanda. Aos poucos vamos sabendo mais sobre como o peso no coração, por perder os pais tão nova, a influenciou nos anos seguintes de sua vida. É admirável ver como ela conseguiu forças para superar as mais difíceis das adversidades, seja por perder os pais, seja passando por situações que mulher nenhuma no mundo merece passar. É uma personagem verdadeira, forte e poderosa, que emociona.

Sobre as viagens no tempo, Maurício se mantém firme em sua proposta e não complica a trama além do necessário. As explicações são mínimas, mas não se fazem verdadeiramente necessárias. A busca por entender a felicidade é o que conduz a história.


Todo o tempo do mundo é intenso. Seja em seu drama bem dosado, seja na forma de seus personagens expressarem seus sentimentos. A descrição dos cenários carrega a marca do autor, de nos entregar imagens fiéis através das palavras. Impossível não sentir vontade de visitar os lugares que ele cita, como a El Ateneo em Buenos Aires, ou as vinícolas na pequena cidade onde Vitor vive.

O que mais posso dizer? Uma das melhores leituras do ano? Com certeza! Preciso recomendar mais uma vez que vocês procurem os livros de Maurício Gomyde? Sei bem que eu também preciso fazer isso. 

Fato é que terminei essa leitura extremamente feliz e satisfeito.

Autor: Maurício Gomyde | Editora: Astral Cultural | Páginas: 352 | Ano: 2018

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário ♥

Postar um comentário