[RESENHA] A Princesa Prometida


Como estão nesse início de semana? Hoje venho trazendo para vocês a resenha do divertido "A Princesa Prometida", de William Goldman.


Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepare-se para morrer!
Quero começar essa resenha fazendo um esclarecimento aos desavisados sobre esse livro. William Goldman, desde o início, refere-se a ele mesmo como apenas um autor que editou a versão original de "A Princesa Prometida", um calhamaço de mais de 1000 páginas em sua integralidade. Ele diz que editou para deixar somente as partes boas. O livro teria sido escrito por S. Morgenstern. Mas, em uma rápida pesquisa, e até mesmo dedicando um pouco mais de atenção durante a leitura, percebemos que na verdade, tudo o que está no livro faz parte da genial criação de William Goldman. Não existe uma versão original estendida, ou mesmo um S. Morgenstern. Dito isso, vamos para a resenha propriamente dita.


"A Princesa Prometida" vai nos contar a história de Buttercup, uma camponesa, que se apaixona perdidamente por Westley, um jovem que trabalha na fazenda do pai dela. O destino parece querer unir os dois ao mesmo tempo em que cria os mais diversos contratempos para separá-los. Tudo começa quando, após declararem seu amor um ao outro, Westley decide partir rumo à América, para ganhar a vida e um dia poder voltar para buscar Buttercup e eles viverem uma vida perfeita juntos. Até que chega o dia em que uma triste notícia chega para nossa pobre protagonista. Um infame pirata atacou o navio que levava Westley e o matou. Amargurada, ela decide que nunca mais amará alguém, torna-se a mulher mais bonita de todos os reinos e chega até mesmo a aceitar se casar com o príncipe Humperdinck, um sádico caçador.


Muita coisa para um início de história? Pode até ser. Fato é que "A Princesa Prometida" vai muito além disso. A fama que ganhou aqui no Brasil nos últimos meses não é a toa. O livro é de fato muito divertido de se ler, com uma história que passa voando por nossos olhos.

Vale lembrar que o leitor que decidir ir ler esse livro, talvez até sem ter assistido o filme que se originou dele, como é o meu caso, tem que saber que esse é o tipo de narrativa que não se leva a sério. Cada personagem presente nesta história tem alguma característica marcante, muitas vezes exageradas, além de ações e situações que sempre pendem um pouco para o cômico e absurdo.


E quando paramos para pensar em clichês, geralmente é para falar deles de forma negativa, quando o autor não é inventivo o suficiente para fazer com que sua história se sobressaia diante das demais presentes no mundo literário. No caso deste livro, a questão é bem diferente. O clichê está presente e muitas vezes ganha um efeito ainda mais forte. Buttercup, apesar de uma clara ingenuidade, passa muitas vezes aquele ar esnobe, para logo em seguida cair em aflição, e depois voltar a ter atitudes que, por exemplo, brincam com os sentimentos de Westley. Já ele, por exemplo, é retratado com frases típicas e exageradas de expressão de seu amor por Buttercup. A junção desses dois é algo incrivelmente clichê, mas cômico e exagerado.

Outros personagens também são presença excelente. O mais célebre deles talvez seja Inigo Montoya e sua icônica frase: "Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepare-se para morrer!". Além dele, temos o "gigante" Fezzik, um cara grande, extremamente forte e protagonista de algumas situações bem absurdas. E claro, o príncipe Humperdinck, um exímio caçador e que se revela o grande vilão da narrativa.

William Goldman também não tem medo de exagerar além da conta. Situações extremamente absurdas e irreais acontecem, como Fezzik escalar um rochedo íngreme, praticamente sem apoios e carregando 4 pessoas! Além desse, tem outros. O autor só perde a mão um pouco quando decide fantasiar demais ou em "O Bebê de Buttercup", que é uma segunda história que teria sido escrita por S. Morgenstern, como uma continuação. Nesse caso nos é apresentado o primeiro capítulo, extremamente confuso, com um vai e vem temporal e sem muito nexo.


O autor também, ao longo de todo o livro, interrompe a narrativa para justificar alguns "cortes do original". Ele resume o aconteceria em, por exemplo, 100 páginas de pura divagação sobre a natureza de Florin, ou de arrumação de malas. Esse tipo de recurso é interessante e realmente passa a impressão de que o livro foi de fato editado e que realmente existiu uma versão completa do mesmo. Acontece que algumas vezes seu uso também prejudica um pouco a experiência. Lembro de dois casos específicos. O primeiro foi quando ele interrompeu a leitura para dar spoiler do que viria a seguir. Eu não me incomodo tanto com spoilers, mas confesso que nesse caso específico isso me incomodou um pouco. O segundo foi no já citado primeiro capítulo de "O Bebê de Buttercup". As interrupções são tão frequentes que quebra o ritmo de uma história que por si só já é mal estruturada.

O saldo final de "A Princesa Prometida" é extremamente positivo. Divertido, com situações absurdas e um romance fadado ao sucesso com percalços pelo caminho. Leitura mais que recomendada.

Espero que tenham gostado e até a próxima.

Autor: William Goldman | Editora: Intrínseca | Páginas: 416 | Ano: 2018

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário ♥

Postar um comentário