[RESENHA] Daytripper



Salve, Salve Divagadores! It's me, Alex! Voltando com minha primeira resenha de Outubro. Infelizmente não consegui trazer nada para vocês nas últimas semanas, que foram muito corridas pra mim. E mais uma vez trago uma obra nacional que está em relançamento nesse ano de 2018.
“Quais são os dias mais importantes da sua vida?
Conheça Brás de Oliva Domingos. Milagroso filho de um mundialmente famoso escritor brasileiro, Brás passa os dias escrevendo obituários e as noites sonhando em se tornar um autor de sucesso - ele escreve o fim da história de outras pessoas enquanto a sua própria mal começou.
Mas, no dia que sua vida começar, ele será capaz de perceber? Ela começará aos 21, quando ele conhece a garota dos seus sonhos? Ou aos 11, quando dá seu primeiro beijo? É mais adiante na vida, quando seu primeiro filho nasce? Ou antes, quando pode ter encontrado sua voz como escritor?
Cada dia na vida de Brás é como a página de um livro. Cada um deles revela as pessoas e coisas que o fizeram ser quem é: sua mãe e seu pai, seu filho e seu melhor amigo, seu primeiro amor e o amor de sua vida. E, como em todas as grandes histórias, seus dias têm uma reviravolta que ele nunca antecipou... Em DAYTRIPPER, os ganhadores dos prêmios Eisner e Jabuti, Fábio Moon e Gabriel Bá contam uma história mágica, misteriosa e tocante sobre a vida - uma jornada lírica que usa os momentos silenciosos para fazer as grandes perguntas.”
Daytripper é uma série de quadrinhos escrita e ilustrada pelos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Apesar de ser criada por brasileiros, a obra foi originalmente publicada nos Estados Unidos em 2010 pelo selo Vertigo. Completa em 10 edições, foi publicada aqui em 2011 no formato de encadernado único contendo toda a obra.

A minissérie ganhou os prêmios Eisner e Eagle, além de ter sido indicada ao Harvey e ao Shel Dorf Awards e ficado duas semanas na lista de coletâneas em quadrinhos mais vendidas do The New York Times. É a HQ brasileira de maior sucesso que já se viu no exterior.

Enredo

O formato de Daytripper é diferente das obras convencionais. Não é composto de apenas uma única histórica contada com início, meio e fim. A Hq é uma coletânea de várias histórias que juntas narram a vida completa de um homem da elite brasileira, desde o nascimento, com ênfase em suas relações amorosas, sua família e seus amigos. O legal é que essas histórias são narradas pelo personagem principal, seguindo várias linhas temporais diferentes, portanto fora da ordem cronológica. Essa foi uma ferramenta muito bem utilizada e que não confunde o leitor em momento algum.



Como bem descrito na sinopse da própria editora, a narrativa nos apresenta Brás, um escritor de obituários e filho de um reconhecido escritor. Acompanhamos seu nascimento, seu primeiro beijo, suas aventuras na juventude, encontro com seus grandes amores, seu sucesso como escritor e etc.. Todos esses momentos são retratados de forma bem realista e com boa carga dramática. A delicadeza e cuidado utilizado pelos autores são marcantes. Você se surpreenderá com situações como Vida e Morte sendo retratados com profundidade e ao mesmo tempo simplicidade. Serão diversas as situações com as quais você se identificará, afinal o cotidiano da vida brasileira também está presente.

Os finais de cada história são impactantes, principalmente a primeira, porém previsíveis no decorrer da leitura do restante.

Arte 

No quesito visual Fábio Moon e Gabriel Bá encatam com facilidade os leitores. O traço é muito bonito, limpo e acima de tudo característico. É um traço que funciona perfeitamente para Daytripper, mas que se fosse utilizado em uma outra obra como uma história do Batman por exemplo, talvez não encaixasse tão bem. Todos os gestos e expressões faciais são muito bem trabalhados em cada página. Os cenários também não ficam atrás, com estaque para as histórias situadas em São Paulo e Salvador, que são espetaculares e retratam perfeitamente o nosso país. As artes de página inteira te deixarão de queixo caído.



As cores também dão um show à parte, méritos dessa vez para Dave Stewart, que soube com destreza utilizar tons escuros e frios em momentos de tensão, e, brilho e clareza em momentos de felicidade. Seu trabalho foi essencial e torna a obra dos irmãos Moon e Bá visualmente memorável. Daytripper é um dos poucos quadrinhos até hoje que vi serem tão ricamente coloridos sem pecar no excesso, não causando poluição visual. 

Acabamento 

Daytripper é uma obra com um número considerável de páginas, cerca de 260. Acredito que por isso e por toda fama que fez lá fora, a escolha da Panini só podia pender para o formato capa dura. Porém não chega a ser um formato de luxo. É o mesmo formato já adotado pela empresa em encadernados da Marvel e da DC

O papel utilizado é o Couchê e o preço de capa é R$ 66,00. Achei um preço bem exagerado, mas reflete a política maluca da Panini em alavancar os valores das suas publicações em meio à crise editorial que vivemos. Mas felizmente, como sempre, é possível encontrar mais barato em grandes lojas e livrarias virtuais pela internet.



Conclusão 

Apesar de não citar nenhum ponto negativo durante a resenha, acredito que Daytripper divide e sempre dividirá opiniões. E o motivo é compreensível. Não é uma HQ que entrará com facilidade no topo da lista de todo colecionador como algo espetacular ou como uma das melhores obras já lidas. Como já descrito, suas histórias são muito bem-feitas e possuem um peso sim, isso é indiscutível, porém ao meu ver elas atingem melhor um público em uma faixa etária que varia da adolescência ao início da vida adulta. Isso se deve ao fato de que são retratados momentos da vida de Brás com os quais você se identifica e que lhe fazem refletir profundamente sobre a sua vida presente e futura. Por esse motivo ela causa maior impacto naqueles que ainda não se encontraram e ainda tem dúvidas de qual rumo seguir durante sua existência. Para um leitor mais velho e com objetivos de vida já bem estabelecidos, como eu, a obra não emociona tanto e esses momentos de reflexão não são tão marcantes. As crônicas apresentadas passam a ser apenas “boas histórias”. Particularmente o final também não me agrada.



Autores: Fábio Moon e Gabriel Bá | Editora: Panini | Páginas: 256 | Ano: 2018




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