[RESENHA] O Labirinto de Fogo


Oi gente, voltei mais uma vez. Fiquei um pouco atarefado nas últimas 3 semanas, depois de finalmente arranjar um trabalho, então precisei me organizar pra voltar ao blog e tentar postar mais frequentemente por aqui e botar em dias a lista de resenhas. Dessa vez venho trazendo o terceiro livro de As provações de Apolo, “O Labirinto de Fogo”. O livro encerra a primeira metade da trama prevista para cinco livros, enquanto ao mesmo tempo dá início ao desenrolar dos acontecimentos que encaminham a história para seu final.
Mas, daquele momento em diante, eu seria mais do que Lester. Seria mais do que um observador.
Eu seria Apolo.
Eu lembraria.
“O Labirinto de Fogo”, claro, inicia praticamente após os acontecimentos de “A Profecia das Sombras”. No segundo livro Apolo teve que libertar o Oráculo de Trofônio com a ajuda de seus amigos Meg, Leo e Calipso. Ao final, outra profecia, que o trouxe diretamente para os acontecimentos de “O Labirinto de Fogo”.

Superar a diversão e o desenvolvimento natural dos personagens e a interação entre eles, acontecidos em “A Profecia das Sombras”, se mostrou uma tarefa visivelmente difícil para Rick Riordan. O segundo livro da série, na minha opinião, mostrou a que “As Provações de Apolo” se propõe ser dentro do rico universo literário criado pelo autor. Chega o terceiro livro e... ele dá seus tropeços. Mas, é claro, há bastante coisa boa.


Um dos maiores destaques do livro anterior foi o lado humano de Lester/Apolo começar a mostrar a ele que existem outras pessoas ao redor com quem se importar. As relações entre os personagens foram o grande destaque e, de certa forma, isso acabou se perdendo um pouco neste terceiro livro. Não vou negar que Apolo cada vez mais começa a perceber que ele não é mais (ainda) aquele ser poderoso que poderia resolver seus problemas com um estalar de dedos, ou achar que é o centro de tudo e todos. Tanto é que nesse livro temos algumas perdas bem importantes em um contexto geral da obra completa de Rick Riordan, e estes são momentos que ajudam o personagem a entender que se importar com os outros é algo completamente normal e ajuda a ter uma visão mais ampla do que é ser humano.

Acontece que muito do que ele aprende parece ser esquecido em alguns lapsos de acontecimentos da trama. Por vezes Lester/Apolo é completamente mimado e sedento por reconhecimento, quando, desde o início, ele pouco havia se mostrado assim, justamente por entender que estava sem seus poderes e sofrer com isso.

Por se tratar de um livro que transita entre as duas metades da trama de cinco livros, tio Rick me passou a impressão de que ele não sabia exatamente como encaminhar essa trama intermediária, apesar da clara importância dela, ao introduzir, por exemplo, o terceiro e provavelmente mais temido Imperador Romano do Triunvirato, após Nero ser apresentado em “O Oráculo Oculto” e Cômodo em “A Profecia das Sombras”. Enfim, os momentos de transição entre um acontecimento e outro da trama deste terceiro volume acabaram ficando um pouco vazios, exceto em momentos chave.


Mas nem tudo são defeitos. “O Labirinto” acerta muito no que diz respeito a novos personagens e no desenvolvimento de outros. De novos personagens temos, além do terceiro e último Imperador que eu imagino que será apresentado na trama, o Oráculo de Sibila Eritreia, conhecida como Herófila, aquela que Apolo terá que tirar das mãos da Triunvirato S.A. Alguns personagens de outras séries também voltam para esse livro. Deles eu vou citar Grover, que é extremamente carismático e é um ótimo companheiro para Apolo e Meg nas andanças deste volume. Não chegou ao nível do que foi com Leo e Calipso no volume anterior, mas sempre que Grover estava em cena, era impossível não simpatizar com o personagem, sua forma de pensar e agir e com o quanto ele se importa com a  natureza, nos mínimos detalhes.

Mas, deixo o destaque final para o desenvolvimento do passado de Meg. Alguns dos segredos que envolviam o passado da personagem finalmente são revelados. Muito do comportamento dela é justificado neste livro e ela ganha novas camadas em sua construção. Aos poucos ela começa a se desprender da forte influência que Nero tinha sobre ela e isso com certeza será grande importância nos acontecimentos futuros.

Alguns acontecimentos dramáticos da trama poderiam ter tido maior impacto em mim caso eu tivesse lido as séries anteriores do autor, sobre os deuses Gregos e Romanos. Ainda assim, deu pra sentir um pouco a decisão repleta de coragem e que contribui no desenvolvimento do protagonista, que decide aceitar quem é no momento ao mesmo tempo que vai buscar parar de se encolher com medo e tomar a iniciativa.

Os momentos de ação são interessantes, o drama vem em momentos certos, o desenvolvimento de Meg foi bastante especial e a revelação do terceiro imperador nos fez ter certeza de que a jornada não será exatamente fácil, muito menos sem o risco de acabar perdendo um amigo na jornada.


Lester/Apolo tendo algumas crises de adolescente foi estranho, ainda mais se levarmos em conta que o personagem pouco havia apresentado esse comportamento antes. O fato de ser algo intermediário acabou atrapalhando a narrativa, principalmente levando em conta que o livro, em momentos específicos, carrega um considerável peso dramático, que, como já citado, afeta o universo de livros do autor e, a tradicional mensagem que sempre fica nas entrelinhas ou que é feita abertamente, como os incêndios florestais da Califórnia, provando que Rick está sempre atualizado com o que acontece no mundo e faz o possível para inserir no contexto de sua obra. O lapsos de enrolação de nada acontecendo são mais comuns que o desejado e incomodam um pouquinho, mesmo que não prejudiquem a obra no geral.

Enfim, este é o mais fraco dos três livros, mas dá pra relevar, considerando que o que vem daqui pra frente deve elevar novamente o nível ou quem sabe superar o que foi “A Profecia das Sombras.”

Espero que tenham gostado e até breve!

Autor: Rick Riordan | Editora: Intrínseca | Páginas: 368 | Ano: 2018


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