[RESENHA] Mentes Sombrias


Oi gente, tudo bem? Voltei, e quem sabe eu não consiga manter o ritmo? Veremos. Dessa vez trazendo mais uma resenha. “Mentes Sombrias” de Alexandra Bracken. Estou sem mais ideias para essa introdução, então vamos logo ao que interessa.
E a lista secreta da sintomas, no papel laranja, que os professores dobraram e grampearam antes de enviar para os pais, que foi exibida centenas de vezes no noticiário, recitada enquanto o rosto das vítimas passava na tela? Aquilo era medo. Não pelas crianças que corriam risco de vida, ou pelo vazio que as muitas vítimas já deixavam.
Era medo de nós... Os que sobreviveram.
“Mentes Sombrias” é um livro/série que é conhecido por trazer a mistura de alguns universos literários, distópicos ou não. Uma das comparações que mais vi em relação a essa série, foi dizendo que é uma mistura entre Jogos Vorazes e X-Men. E fiquei pensando… Será? Daí vi os trailers do filme e continuei pensando… Ok, parece realmente. Tem até um gesto semelhante, e a atriz que interpreta a protagonista até participou de um dos filmes de Jogos Vorazes. Então decidi dar uma chance e ver do que “Mentes Sombrias” realmente se tratava. Será um livro com personalidade própria, ou não?


Já posso dizer que poucas vezes eu parei para pensar que uma coisa ou outra me lembravam as comparações. Obviamente existem as inspirações, mas nada que torne o livro sem personalidade e conteúdo. Então sim, "Mentes Sombrias" tem personalidade própria. Demora a mostrar isso, mas tem sim e deixa bem claro.

A narrativa vai acompanhar Ruby, uma das poucas crianças que sobreviveram a um surto de uma misteriosa doença que tirou a vida de milhões de crianças e jovens. Acontece que aqueles que sobreviveram passaram a manifestar alguns poderes psíquicos especiais, ao mesmo tempo que se provaram supostamente perigosos para o governo e o bem estar da população.

Ruby, como uma das sobreviventes, é levada para Thurmond, uma espécie de campo de concentração, para onde outras crianças também são levadas. Isso aconteceu na manhã de seu aniversário de dez anos, logo após ela descobrir que algo terrível aconteceu.

Dentro de Thurmond as crianças são agrupadas em categorias, identificadas por cores, que são: Verde, Azul, Amarelo, Laranja e Vermelho. Segundo essa categorização, os Verdes tem grande inteligência; os Azuis conseguem fazer coisas levitarem usando seus poderes; os Amarelos conseguem manifestar poderes elétricos; Os Laranjas possuem poderes mentais, podendo entrar na mente das pessoas, influenciar atitudes, emoções e até mesmo apagar completamente as lembranças de alguém, seja tocando a pessoa ou não; Os Vermelhos são um mistério (nem tanto assim, dá pra se suspeitar um pouco) até próximo ao fim do livro.

A protagonista consegue se passar por Verde, mas na realidade é Laranja, portanto, considerada um grande perigo. E é por ter esse segredo prestes a ser revelado que ela tem que fugir. E aí sim nossa narrativa finalmente engrena pra valer.


Até certo ponto da leitura de “Mentes Sombrias” eu ainda estava esperando algo acontecer para me despertar empolgação com a leitura. O início do livro é um pouco lento e os lamentos de Ruby, apesar de aceitáveis e justificados, muitas vezes eram repetitivos. Eu tive a impressão de que Alexandra Bracken queria criar uma dualidade, que até certo ponto da narrativa, era desnecessária para a personagem. Essa dualidade só vai fazer de fato algum sentido nos momentos finais do livro, mas com pouca conexão com o contexto empregado anteriormente na narrativa. Eu juro que tentava relevar o “eles não sabem que o verdadeiro monstro sou eu”, falado inúmeras vezes ao longo do livro pela protagonista. Ainda mais que no fundo o próprio leitor percebe que boa parte das coisas que aconteceram, que desencadearam a ida de Ruby para Thurmond, e até alguns acontecidos após a ida dela para lá, foram completamente involuntários e que só provava que até certo ponto a própria Ruby era vítima de suas habilidades perigosas.

Eu gostei da protagonista, apesar dos pesares. Quanto aos demais personagens que acompanham Ruby, sendo bem sincero, em poucos momentos consegui me identificar com eles. Talvez os mais carismáticos e interessantes sejam Bolota e a pequena Zu. São dois pontos fora da curva em comparação ao que Ruby e Liam são para o grupo. E por falar em Liam, o típico clichê, personagem que quer bancar o herói e que percebe que as coisas não são tão fáceis como ele pensa e que nem tudo vai conseguir ser resolvido na conversa.

O romance, pelo menos, não é meloso. É até bacana ver Ruby e Liam começando a se entender, em momentos bem bonitos, que dão uma certa leveza à trama. A protagonista começa a baixar um pouco mais a barreira que a separa dos outros personagens e ela começa a ficar mais aberta e disposta a se relacionar com outras pessoas sem tanto medo (o complexo de monstro dela continua, mas melhora). 


A autora soube muito bem como fazer a construção geral de seus personagens, todos tem alguma evolução ao longo da trama, principalmente o quarteto protagonista. Dos lados antagonistas dá para se dizer o mesmo. O livro ainda assim deixa as intenções de alguns deles bem enevoadas, sem que saibamos de fato o que eles pretendem fazer com as crianças. De um lado temos as FEP’s, principal Força Militar dos Estados Unidos depois que a misteriosa doença começou a matar descontroladamente, sendo os responsáveis por manter as crianças na rédea curta nos acampamentos, além de caçá-las; De outro lado, a Liga das Crianças, que supostamente tem como objetivo tirá-las dos campos de concentração e oferecer uma vida melhor, mas logo sabemos que não é exatamente assim. E outros grupos menores, como rastreadores, que trabalham capturando fugitivos, por dinheiro mesmo.

Os momentos do meio para o fim do primeiro volume foram os que mais de fato me surpreenderam. Ruby evolui de forma clara e começa a de fato enfrentar seus poderes e começar a entender como controlá-los. Ela ainda baixa a guarda estranhamente e facilmente com determinado personagem, e mesmo entendendo os motivos para isso ter acontecido, achei estranho, principalmente por ser uma personagem que não se abria fácil nem mesmo com quem gostava, e eu esperava que, diante da situação que se mostrou a ela, tivesse mostrado alguma resistência.

E mais próximo ainda do final somos pegos de surpresa. Quando eu pensava que a trama estava se encaminhando para uma calmaria após a tempestade, um choque inesperado. No final, uma atitude surpreendente de Ruby, que decide despertar um novo lado de sua personalidade, e outra condizente com a forma de pensar da protagonista, o que de certa forma era o esperado, visto que ela se preocupa muito com a segurança dos amigos, estando disposta a alguns sacrifícios, talvez um pouco egoístas, mas nobres, e que deixam um bom gancho pro segundo volume.


“Mentes Sombrias” me conquistou do meio para o fim e agora não vejo a hora de a continuação chegar por aqui. Lembrando que é uma trilogia, que começou a ser publicada no Brasil, a editora anterior cancelou e a Intrínseca resolveu dar uma segunda chance. Os três livros já foram lançados pela autora lá fora, então só nos resta aguardar. Essa semana um conto foi disponibilizado gratuitamente pela Intrínseca, que, entre outros propósitos, tem o objetivo de deixar o leitor a par do que aconteceu com a pequenina e carismática Zu, que tem a sua participação no primeiro volume encerrada de forma abrupta. Ainda não fiz a leitura, mas prometo vir aqui em breve pra falar sobre ele.

Sobre o filme, não assisti. Pretendo, mas confesso que não me animo tanto, principalmente após a leitura do livro. A adaptação, se eu for me basear pelos trailers, me pareceu de gosto no mínimo duvidoso, mas não vou julgar antes de ver o filme todo.

Enfim, é isso. “Mentes Sombrias” consegue surpreender em seus momentos finais e manter o leitor instigado para as sequências. Que saiam logo por aqui. 

Espero que tenham gostado dessa resenha, um tanto quanto longa. Até breve!

Autora: Alexandra Bracken | Editora: Intrínseca | Páginas: 384 | Ano: 2018


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