[RESENHA] Jojo's Bizarre Adventure: Phantom Blood (Parte 1)



Salve, Salve Divagadores! It's me, Alex! Bora falar de um mangá dessa vez?
Jonathan é o herdeiro único de uma notória família da aristocracia britânica, os Joestar. Tudo o que o jovem queria era ser um cavalheiro e viver de forma tranquila e despreocupada. Porém, seus pacatos dias estão para acabar, pois a chegada do "invasor" Dio Brando fará tudo virar de cabeça para baixo. Além de sofrer diariamente nas mãos de Dio, ainda há a presença sombria de uma misteriosa Máscara de Pedra.
JoJo's Bizarre Adventure é um mangá escrito e ilustrado por Hirohiko Araki. A obra é publicada ininterruptamente desde década de 80, totalizando mais de 100 volumes. Possui uma base sólida de fãs que fizeram nas redes sociais uma enorme campanha clamando por sua publicação, enfim atendida pela editora Panini. 

O mangá conta a história da família Joestar e suas lutas contra forças sobrenaturais. Ele é divido em 8 partes e cada uma tem seu próprio enredo e um personagem com o apelido de JoJo

Enredo

A trama principal acontece por volta de 1880 na Inglaterra, envolvendo dois jovens de famílias e personalidade extremamente opostas: Jonathan Joestar (JoJo) e Dio Brando. De forma resumida e sem spoilers, posso dizer que os destinos dos dois se cruzam, fazendo com que ambos convivam juntos. Essa convivência não será nada agradável, já que Dio tem alguns planos nefastos e fará de tudo para azucrinar a vida de JoJo. E desse “bullying” nascerá uma rivalidade que tomará proporções épicas, chegando a ameaçar o mundo como o conhecemos. 

Pelo lado positivo, a história e os fatos que se desenvolvem nela ajudam a estabelecer bem os papéis e personalidades de cada personagem. Jonathan Joestar é a virtude e o cavalheirismo em pessoa, sendo o típico protagonista bonzinho que não pensa duas vezes em ajudar o próximo. Em contrapartida, Dio é um dos vilões mais mal caráter e filho da p*%$ que você conhecerá. Capaz de atos baixos e hediondos executados friamente, Dio gera repulsa no leitor. Sério, eu senti ódio desse cara como a muito não sentia acompanhando um mangá. As motivações do vilão não são nada mirabolantes ou forçadas, o que também ajuda dar um bom ritmo a história. 

O autor utiliza também muita referência, principalmente nos nomes dos personagens. Aqui é perceptível o uso de nomes de bandas, músicas, músicos, atores, etc. Isso é sempre divertido e ajuda na familiarização com a obra. Um pequeno exemplo é o nome de Dio, que vem em parte do cantor de heavy metal Ronnie James Dio, fundador da banda musical Dio.


Pelo lado negativo, o início em JoJo’s é um novelão mexicano típico das tardes do SBT. Como dito anteriormente, apesar de servir para desenvolver e demonstrar as crueldades de Dio, os primeiros capítulos acabam deixando a história lenta e chata. São necessárias várias e várias páginas para você conseguir desenvolver o mínimo de desejo para terminar a leitura. A única motivação que me fez seguir em frente foi a curiosidade em encontrar nas próximas páginas esse mangá fantástico do qual os fãs tanto falam bem. E o gosto final foi de uma decepção amarga.

Posteriormente toda a excentricidade demonstrada nos personagens e na história não me cativaram. Figurinos espalhafatosos, artefatos mágicos de civilizações antigas e métodos de luta insanos envolvendo zumbis e vampiros causam estranheza e na maioria das vezes não se encaixam bem.

Até mesmo as referências que citei como ponto positivo, acabam por vezes sendo negativas e desnecessárias. Jack, O Estripador e a civilização Maia por exemplo possuem o propósito de dar veracidade a uma obra que claramente foi feita para explorar a fantasia. 

Diversas vezes fiquei boquiaberto com situações que acontecem sem uma explicação coerente. Um exemplo disso é a motivação que une Speedwagon a JoJo. Speedwagon é o chefe barra pesada de alguns bandidos de rua, que após trocar alguns socos com JoJo, volta atrás e se une a ele simplesmente porque nunca encontrou alguém com caráter igual ao de JoJo. É como se o Vegeta do início de DBZ após lutar 3 minutos com o Goku subitamente se transformasse no Vegeta que conhecemos hoje. Transformação instantânea de personalidade.

JoJo’s infelizmente também falha dentro do gênero Shounen nesse primeiro volume. A ação é escassa e as poucas lutas não empolgam. 

Arte

Em relação a esse quesito sou obrigado a dar mais um ponto contra JoJo’s. Confesso que antes mesmo de ler o mangá eu já me encontrava ciente de que provavelmente não gostaria dos traços (afinal fiz minha pesquisa básica na internet). Porém, Hajime no Ippo (que no inicio eu também não gostava da arte) sempre me serve de exemplo nesses casos, mostrando que as vezes só é preciso se acostumar. Mas não é o que aconteceu comigo em relação a essa obra. 

Sei que os traços são datados, afinal o mangá é do final da década de 80. Mesmo assim os desenhos me incomodaram, principalmente nas cenas de ação. A anatomia dos personagens as vezes é jogada de escanteio, deixando os personagens parecidos com uma montanha de músculos disforme. Em muitos quadros se tornava confuso entender o que acontecia. Até mesmo as famosas poses tão adoradas pelos fãs não me conquistaram (tente reproduzir a pose da capa por exemplo).



Acabamento

Aqui temos um quesito em que devo dizer que o mangá se saiu muito bem, méritos da Panini. O material está excelente. Inclusive foi um dos quesitos que me atraiu. 
Por ser uma obra longa, a editora optou por usar o formato adotado em outros países da América Latina: o bunko, possuindo uma média de 300 a 350 páginas por edição. Por isso o total de volumes dessa primeira fase deverá cair de 5 para 3.

O Papel utilizado foi o offset: branquinho, sem transparências ou aquela sensação de que vai rasgar qualquer momento. 

A tradução está ótima. Não me lembro de ter encontrado erros ou situações em que as falas tenham sido mal traduzidas.

A capa possui uma linda arte, abusando principalmente de uma rica paleta de cores. Internamente possui orelhas para ajudar marcar páginas durante leitura. Tudo decorado com auto relevo em verniz. 

A única página colorida é a contracapa, que utiliza a mesma imagem da capa, porém em página inteira e sem edições.

O preço do mangá é R$29,90 com periodicidade bimestral.

Conclusão

Existem vários tipos de bizarrice. Existem as bizarrices intrigantes, cativantes e existem as bizarrices sem sentido, desnecessárias. Infelizmente a sensação final que esse primeiro volume de JoJo’s me deixou é a de que a obra se trata do segundo caso. Estou ciente pelos vários comentários de fãs pela internet de que JoJo’s melhora drasticamente nas fases posteriores, principalmente na famigerada Stardust Crusaders. Entretanto pelo que vi aqui, o investimento no mangá não vale a pena. A sensação que me deixou foi de uma obra marcada completamente pelo exagero e por pouco contexto. Pretendo dar uma chance sim, mas via anime. Mangá deixo de lado.

AutorHirohiko Araki | Editora: Panini | Páginas: 250 | Ano: 2018


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