[RESENHA] Pedra no Céu

Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Página: 312
Ano: 2016
Classificação: 5/5
Qualquer planeta é a Terra para aqueles que nele vivem. O alfaiate aposentado Joseph Schwartz desfrutava de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, foi involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império. Publicado pela primeira vez em 1950, “Pedra no Céu” foi o romance de estreia de Isaac Asimov e é um marco do que se tornaria o Império de sua mais famosa obra, Fundação. Complemento fundamental às outras histórias do autor, este romance também serve como porta de entrada para apresentar o leitor ao universo de Asimov.
Oi pessoal, estou de volta com mais uma resenha. Dessa vez trazendo mais um livro de Isaac Asimov, o maior gênio que já vimos na história da ficção científica. “Pedra no Céu” foi o primeiro livro publicado pelo autor, lá no distante ano de 1950, recebendo reedições posteriormente para que alguns pontos da narrativa se encaixassem com o mundo que ele estava criando, do qual fazem parte, por exemplo, os livros da “Fundação” e sua série sobre robôs.


Em “Pedra no Céu”, o alfaiate aposentado, Joseph Schwartz, em uma tranquila caminhada, repentinamente, entre um passo e outro, é transportado do mundo que ele conhece para milhares de anos no futuro aparecer em uma Terra que ele não reconhece, estranha, com pessoas que sequer falam uma língua que ele conheça.

Logo somos apresentados ao mundo que se mostra. Nesses milhares de anos no futuro a humanidade já habita milhões e milhões de lugares no universo, criando o que é conhecido como Império Galáctico, e a Terra, que um dia foi o berço dessa evolução, agora é marginalizada, um planeta e habitantes que são alvo de preconceito, visto como estagnados nessa própria evolução, primitiva.

Algumas poucas pessoas no Império tem a coragem de estudar e, inclusive, afirmar que a Terra não é exatamente o que costumou-se disseminar ao longos dos milhares de anos. Eles afirmam que lá é sim o berço da humanidade, contradizendo - convenhamos que facilmente - a teoria que diz que os humanos surgiram em vários planetas diferentes e que foram juntando-se aos poucos para formar o Império.

Uma dessas pessoas é o arqueólogo Bel Avardan, que vem ao nosso planeta com o intuito de reunir provas para provar sua teoria. Mesmo assim, apesar de simpatizante com a própria teoria e convicto de suas ideias, ele é uma pessoa que não conseguiu escapar incólume ao preconceito espalhado acerca da Terra e seus habitantes. São alguns bons momentos em que ele tenta lutar contra os conceitos impregnados em sua cabeça que são passados de geração em geração fora do planeta que deu origem à vida.


E Joseph Schwartz? O senhor que foi transportado para esse período em que a Terra é apenas um planeta vista como pária para o Império, encontra uma família que “o acolhe”, para depois pensar o que fazer com o homem que fala palavras desconexas e desconhecidas. O caminho de Joseph segue até que ele caia nas mãos do cientista Affret Shekt, que está construindo uma máquina que pode, de alguma forma, acelerar alguns processos cerebrais e fazer algumas mudanças significativas na pessoa. Nos experimentos é notado, inclusive, o quanto Joseph é um exemplar raro e primitivo de humano, conservando características físicas que, para a época em que se passa a narrativa, eram tidas como extintas, como o fato dele ter barba.

Sobre o planeta em si: a Terra em sua maior parte já não é mais habitada, mas ainda conserva grandes centros onde um número maior da população está aglomerada, como é o caso da cidade de Chica, que é a Chicago do futuro. A maior parte do planeta está tomada por radiação. Devido ao pouco conhecimento na época da escrita do livro em relação à radioatividade, os humanos não sofrem tanto com seus efeitos. Consigo imaginar que seria bem possível mais uma reedição da obra para adequá-la ao que já conhecemos hoje em relação aos efeitos da radiação.


A trama é bem interessante e a escrita de Asimov facilita bastante a compreensão do que estamos lendo. Ele faz questão de deixar as coisas bem explicadas mas sem usar linguagem muito técnica ou perder o ritmo do andamento da obra.

Existem alguns outros detalhes que fazem de “Pedra no Céu” algo único como uma estreia. Os habitantes da Terra, por exemplo, passam pelo “Sexagésimo”, que basicamente é uma eutanásia “voluntária” ao se chegar aos 60 anos, uma vez que é uma idade já considerada como improdutiva para a realidade do mundo em que eles vivem. Aqueles que por algum motivo decidirem por não ter sua vida tirada no “Sexagésimo” é levado de um jeito ou de outro através da verificação da vida dos habitantes que acontece em um determinado intervalo de anos. 

Apesar de algumas pequenas falhas, boa parte dos conceitos políticos, sociológicos, filosóficos, o trato com preconceito, entre outros assuntos, fazem de “Pedra no Céu” um livro atemporal. Tudo o que o povo da Terra passa nas mãos do Império, sendo renegada por informações desencontradas e com pouca base é o que vemos, por exemplo, em nossa sociedade atual, sem contar o preconceitos entre os povos. Como não admirar o peso que um livro como esse, ainda que extremamente simples e sem grandes acontecimentos, carrega?


Com personagens marcantes, trama simples e bem escrita e sem grandes surpresas, apesar de algumas reviravoltas, “Pedra no Céu” é claramente uma base do que viria a se tornar Isaac Asimov, como um autor importantíssimo para a Fantasia e Ficção Científica das décadas seguintes.

Espero que tenham gostado e até a próxima!

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário ♥

Postar um comentário