[RESENHA] Um Cavalheiro em Moscou

Autor: Amor Towles
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
Ano: 2018
Classificação: 5/5
Aleksandr Ilitch Rostov, "O Conde", é condenado por um tribunal bolchevique à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial.
Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor.
Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.
Oi gente. Continuo com alguma dificuldade pra pegar o ritmo aqui no blog, mas juro que estou tentando. De qualquer forma, essa semana já devo trazer, além dessa, mais uma, quem sabe mais duas resenhas. Agora voltando ao texto de hoje, vou falar um pouco sobre a experiência lendo “Um Cavalheiro em Moscou”, do americano Amor Towles.


“Um Cavalheiro em Moscou” vai narrar a vida do Conde Rostov, que, quando jovem, escreveu um poema, que após a revolução russa, foi considerado como um material que ia contra os ideais da revolução. Por conta disso, ele poderia facilmente ser condenado à morte, porém, devido à sua participação na alta sociedade da época, foi condenado a uma prisão domiciliar no Hotel Metropol, o mais conhecido da época e que possui uma localização bastante privilegiada até os dias de hoje, próximo ao Teatro Bolshoi, ao Kremlin e à Praça Vermelha. O hotel também servia como lugar de encontros políticos, assembleias e outros, então, na época, apesar de ser privado de andar pelas ruas, ele, através de próprio lugar onde morava, conseguia ter plena consciência de tudo o que acontecia na Rússia e no resto do mundo.

Tal prisão não se daria na suíte a qual ele já estava habituado, mas sim no sótão, em um quarto apertado, que mal tinha espaço para alguns de seus móveis e outros objetos, muitos deles herança de família. A partir daquele momento, ele estava condenado a deixar boa parte do luxo que conhecia para trás e aprender, através do confinamento, que as coisas estavam mudando.


Eu comecei a leitura esperando algo interessante, só não esperava que fosse ser fisgado logo nas primeiras páginas do livro. A figura do Conde é admirável. Ele é uma pessoa que emana educação e serenidade mesmo diante do momento que muda a vida dele para sempre. O momento que tira muitas das coisas que ele conhecia e gostava de seu alcance, como percorrer as ruas de Moscou, comprar uma sobremesa, conversar, ou simplesmente o puro prazer de andar sem precisar se preocupar com nada.

Obviamente, toda a narrativa vai girar em torno da vida do Conde Rostov após sua condenação. Como eu já disse no parágrafo acima, ao menos na superfície de sua personalidade, o conde não se deixa abater em momento algum pela sua nova condição. Ele vai precisar se acostumar a viver boa parte da vida confinado em um espaço pequeno como local privado, e, claro, continuar como qualquer hóspede do hotel, mas sem poder, em momento algum deixar o local, uma vez que, no momento em que pôr os pés fora do hotel, existem ordens para matá-lo.

Dessa forma, a maior parte de suas companhias serão os próprios funcionários do hotel, alguns hóspedes e qualquer pessoa que frequente o local, uma vez que dentro dele estavam os melhores bares e restaurantes de Moscou. Além disso, ele precisará fazer algo que nunca fez na vida: trabalhar. Isso para que conseguisse se manter como hóspede, uma vez que todo o dinheiro que possui não vai durar para sempre.


Resta a ele construir relacionamentos e, através dele, ter alguma ideia do que se passa no mundo lá fora. É interessante ver como essas relações dele com os demais personagens são construídas, principalmente porque o autor consegue, através de toda a faixa temporal de 30 anos que o livro narra, abordar grandes acontecimentos da história da União Soviética ou outros a nível mundial, como, claro, a Segunda Guerra Mundial, tudo isso com Rostov estando confinado no Hotel Metropol.

Vale falar que os personagens secundários não servem somente para fazer com que o personagem saiba do que acontece no mundo. Alguns deles são recorrentes e também estão incluídos nessa realidade de conflitos que cercava a sociedade russa na época. Dentre eles, é fácil citar uma que o conde conhece ainda criança e que ele assiste crescer e se tornar uma mulher forte, que é Nina. Ele a conhece quando ela tem 9 anos de idade, como hóspede do hotel junto ao pai. E logo se mostra uma criança muito inteligente e capaz de fazer o próprio protagonista ficar sem palavras por alguns momentos, com seus questionamentos bastante diretos em relação a comportamento social, interesses políticos, entre outros.

A leitura é gostosa, leve e que consegue prender o leitor. A visão do autor nesse livro é bastante romântica e leve, fazendo com que os terrores da época não se destacassem, o que nem de longe é o objetivo da narrativa.

Livro recomendadíssimo. Espero que tenham gostado. Até breve.

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