[TRECHOS] A Bibliotecária de Auschwitz


Bom dia Divagadores, quais são as novidades por ai? Tudo certo no começo deste final de semana? E os planos? Vão ler bastante? 

Deixando o papo de lado, na quarta-feira eu postei aqui no blog a resenha do livro A Bibliotecária de Auschwitz. Este livro causou grande emoções em mim e conta com trechos maravilhosos. Separei alguns dos meus trechos favoritos e trago para vocês conhecerem e quem sabem se interessar por ler este maravilhoso livro. Bora lá?

Dita assente com a cabeça e sai em silêncio. Se Deus existe, o Diabo também. Os dois são passageiros em uma linha férrea: um numa direção e o outro, na oposta. De algum modo, o bem e o mal se contrapesam. Quase que da pra dizer que um precisa do outro. Como saberíamos que o que fazemos é bom se não existisse o mal para que pudéssemos comparar e ver a diferença?, pergunta a si mesma. Pensa que em nenhum outro lugar do mundo o demônio se encontraria tão a vontade quanto em Auschwitz.
Será que Lúcifer assobia árias de ópera?
— Pelo menos seu pai não sofreu.
Dita, que esta sentindo o sangue começar a ferver, fica ainda mais irritada por sua mãe falar como se ela fosse uma criança.
— Como não sofreu? — contesta, se soltando do abraço num movimento brusco. — Tiraram dele o trabalho, a casa, a dignidade, a saúde... e no final o deixaram morrer sozinho, como um cachorro numa cama cheia de pulgas. Isso não é sofrimento o bastante? — As últimas palavras ela quase grita.
— Foi assim que Deus quis, Edita. Devemos nos conformar.
Ela nega com a cabeça. Não e não.
— Não quero me conformar! — berra a menina no meio da Lagerstraße. Apesar de estar na hora do desjejum, pouca gente presta atenção nela. — Se eu ficasse diante de Deus, lhe diria o que penso dessa misericórdia distorcida.
— Essa mulheres não odeiam você, Alice. Elas nem a conhecem.
— Me odeiam! Me disseram coisas horríveis, e nem fui capaz de responder como elas mereciam.
— Você fez a coisa certa. Quando um cachorro late, feroz, para um estranho e até quando morde, não faz isso por ódio, faz por medo. Se alguma vez você se deparar com um cachorro agressivo, não deve correr nem gritar, porque acabará assustando esse cachorro e tomando uma mordida. Você deve ficar quieta e falar devagar para acalmar o medo dele. Elas estão assustadas, Alice. Estão furiosas por tudo o que estamos passando.
— Está assustada, eu também estou. Você nunca tem medo Dita? Você sim é vigiada. É justamente você quem deveria estar mais assustada, mas é a que menos medo tem. Você é muito valente.
— Que bobagem! É claro que tenho medo! Mas não saio anunciando por aí.
— Às vezes precisamos dizer o que sentimos por dentro.
— O atleta mais forte não é o que atinge a meta antes. Esse é o mais rápido. O mais forte é o que se levanta cada vez que cai. O que, quando sente dor nas costas, não para. É aquele que, quando enxerga a meta bem longe, não desiste. Quando esse corredor atinge a meta, ainda que chegue em último, é um vencedor. Às vezes, mesmo que você queira, não está em suas mãos ser o mais rápido, porque suas pernas não são tão compridas ou seus pulmões são mais limitados. Mas você sempre pode escolher ser o mais forte. Só depende de você, da sua vontade e do seu esforço. Não vou pedir que vocês sejam os mais rápidos, mas vou exigir que sejam os mais fortes.
E então Divagadores, o que acharam desses trechos? Ficou aquele gostinho de quero mais?  Esses são aqueles trechos que eu simplesmente não consigo parar de ler de tão bons que os acho.

Mas agora vou me despedindo por aqui e espero voltar em breve. Beijinhos e até a próxima.

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