[RESENHA] Mistborn - O Império Final

Autor: Brandon Sanderson
Editora: LeYa
Páginas: 608
Ano: 2014
Classificação: 5/5
O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn! Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou. Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente. Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa – classe social inferior –, Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma – uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.
Já temos a Primeira Era de Mistborn, nesse caso, os três primeiros livros, há alguns anos em nosso mercado, e eu, ao longo desse tempo, sempre vinha adiando mais e mais a possibilidade de dar uma chance à série, tão elogiada por seu clima épico e narrativa grandiosa. Foi somente no fim do ano passado, diante do hype para o lançamento do box com os três primeiros livros da Segunda Era, que decidi dar uma chance a ela. Como eu não comecei a ler isso antes?


Mistborn tem uma característica que salta fácil aos olhos, principalmente se formos levar em consideração poucas das coisas que ela apresenta são de fato novas na narrativa fantástica em geral. Essa característica da qual falei se trata da ambição. A busca por algo grandioso, épico, personagens marcantes, sistema de magia curioso e original e como plano de fundo um mundo aberto a infinitas possibilidades.

O sistema de magia, a Alomancia, é criativo e cheio de nuances. Nele os personagens usam alguns metais para realizar algumas atividades. O interessante nesse sistema é que ele não existe somente para dizer que os personagens tem algum tipo de poder, mas sim que ele está diretamente ligado à situação política, econômica e religiosa do Império. A alomancia pode ser considerada um privilégio, mas também é envolta de muitos mistérios, muitos deles contados pelos Skaa, os escravos.


Começando a falar dos personagens. Vou me atentar principalmente aos dois protagonistas. Kelsier é a figura do herói na trama, o cara que pensa tudo com o objetivo de livrar o mundo da influência do Senhor Soberano, que é praticamente uma figura divina para todo o Império. É um personagem que já inicia na narrativa com alguns problemas que se originaram de seu passado doloroso. O mais interessante, se tratando de Kelsier, é que apesar de todas as marcas da sua vida, inclusive no corpo, ele trata de mostrar, para aqueles que estão ao seu lado, um sorriso no rosto. Sua personalidade é também chave para o desenvolvimento da outra protagonista, Vin.

Ela é uma menina que viveu boa parte de sua vida na rua, com um bando de ladrões, a grande maioria, homens, inclusive seu irmão, dos quais ela tinha medo e perdia noites de sono para ter certeza de que nada lhe aconteceria. Dessa forma, ela cresceu sem saber confiar em ninguém, até que Kelsier e seu bando entram em sua vida e, nas figuras de pessoas tão próximas, amigas e que demonstram respeito, ela cria uma barreira de receio que demora a ser derrubada. Enquanto Kelsier é alguém que tem sua história estabelecida, Vin ainda terá que viver a sua própria. Quanto a desenvolvimento de personagem, é com ela, sem dúvidas, que Brandon Sanderson faz seu melhor trabalho nesse primeiro volume.

Os demais personagens também são interessantes e poderiam ter algo a acrescentar, não em questão de trama central, mas sim como plano de fundo. São figuras interessantes que compõem um bom quadro de personagens, que não são deixados de lado, tem suas próprias vidas e preocupações, mas não completamente expostas ao longo do livro.
O Império Final também não pode ser reconhecido por ser um livro com momentos épicos a cada capítulo ou grandes viradas na trama, coisa que ele realmente não é. Na história que quer narrar, Sanderson cria momentos de ação pontuais, bem escritos e descritos, intercalados com momentos de calmaria e política em torno da situação com o Senhor Soberano e seus aliados. Tudo o que é necessário saber é colocado aos poucos ao longo dos capítulos. Estamos sempre sendo levados a algum ponto narrativo, mesmo que por algum momento o andamento das coisas pareça dar uma pausa.


Brandon Sanderson tem uma escrita que não é rebuscada, mas sim extremamente acessível a qualquer leitor, que faz com que a leitura não seja tão cansativa e, como eu já disse, sempre nos deixa cientes das situações vividas pelos personagens.

Os momentos finais do livro são incríveis, com algumas viradas, acontecimentos marcantes e que deixam em aberto a promessa de uma trama que vai se desenvolver de maneira bem diferente em relação a esse primeiro livro.

Gostei bastante da leitura, em poucos momentos me senti na necessidade de dar uma pausa por algum momento chato da história e o andamento geral da obra foi muito bem trabalhado, resultando em um final insano, repleto de ação e emoção. Fica aqui a recomendação da leitura.

É isso, até a próxima.

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