[RESENHA] Leonardo da Vinci

Autor: Walter Isaacson
Editora: Intrínseca
Páginas: 640
Ano: 2017
Classificação: 5/5
Com base em milhares de páginas dos impressionantes cadernos que Leonardo Da Vinci manteve ao longo de boa parte da vida e nas mais recentes descobertas sobre sua obra e trajetória, Walter Isaacson, biógrafo de algumas das mentes mais inovadoras e influentes de nossa história, como Einstein e Steve Jobs, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando momentos inéditos da história de Leonardo. Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia.
Olá pessoal. Hoje venho aqui trazendo uma resenha de um gênero não muito comum aqui no blog. Falo da biografia de um dos, senão o maior gênio que a humanidade pôde testemunhar, através de seus trabalhos e influências que se perpetuam por quase cinco séculos após sua morte (ano que vem será o centenário da morte dele). Com vocês, Leonardo da Vinci.


Confesso que tenho pouca noção de como tratar um texto sobre uma biografia, já que não me recordo de ter feito algum, pelo menos aqui neste blog.

Afinal, como fazer uma biografia extremamente completa, sobre fatos da vida de uma personalidade e gênio, mas com o agravante de que tal pessoa viveu a quinhentos anos atrás? Walter Isaacson teve que lidar com esse desafio. Mas, por se tratar de Leonardo da Vinci, o desafio não foi mais complicado do que deveria. Isso graças ao fato de que Leonardo é uma das pessoas mais estudadas da história da humanidade, fosse enquanto ainda era vivo até os dias mais atuais, quando vez ou outra aparecem mais descobertas para acrescentar na sua galeria de genialidades.


Como fontes, o escritor precisou ir atrás de, além dos óbvios e inúmeros trabalhos acadêmicos, relatos antigos de contemporâneos que em algum momento de suas vidas tiveram algum contato com ele, biografias centenárias e, claro, os cadernos de Leonardo, que possuem hoje mais de 7000 mil páginas catalogadas e com a estimativa de que isso não chega a ser nem mesmo a metade de tudo que Da Vinci registrou ao longo de sua vida.

Dito isso, sigo em frente. A primeira expectativa que tenho quando alguma vez na vida penso em dar uma chance à uma biografia é: que o autor consiga fazer um trabalho que mantenha o leitor preso às páginas, que ele consiga gerar fascínio em mim. Convenhamos, se tratando de Leonardo da Vinci, quem não se sentiria fascinado e querendo saber mais da vida de um artista que ainda desperta interesse após tanto tempo? Isso, posso dizer com absoluta certeza, que Walter Isaacson consegue fazer com maestria, com algumas poucas ressalvas.


Vou começar falando da única característica que me incomodou durante a leitura. Por vezes, o biógrafo se deixava levar por uma corrente de pensamento sobre fatos e pessoas que, confesso, pouco entendi a necessidade, uma vez que o foco é Leonardo. Com exceção disso, o que sobra são centenas de páginas com fatos curiosos e incríveis.


A primeira coisa que salta aos olhos e que é sempre lembrada ao longo das páginas é: Leonardo era um artista que não se preocupava nem um pouquinho com prazos. É por isso que ele é também conhecido como um gênio de obras inacabadas. Ao longo dos capítulos são inúmeras as pinturas que poderiam estar ao lado de A Última Ceia e Mona Lisa como algumas das obras primas definitivas dele. Além disso, há até uma escultura que, caso tivesse sido terminada, também seria uma das mais incríveis. Essa característica vem do fato de que ele não se dedicava com o objetivo de mostrar algo para a posteridade, mas sim colocar detalhes que representassem o que ele aprendeu com novas técnicas descobertas.


Como é de se imaginar, ele era extremamente perfeccionista. Tendo a pintura como seu principal talento, Leonardo utilizava-se de seu conhecimento em inúmeras outras áreas, como perspectiva, botânica, ótica, teatro, geologia e arquitetura, para traduzir para as telas os mínimos e mais incríveis detalhes. Walter Isaacson faz um ótimo trabalho ao colocar em palavras descrições detalhadas de diversas obras, que, algumas vezes são um pouco cansativas, mas que mostram da melhor maneira possível a evolução de alguém que dedicou a vida a estudar tudo que lhe interessava.

Também é bastante destacado o fato de que Leonardo era visto como alguém diferente da maioria, mas que por muitas vezes é caracterizado como alguém de porte e beleza invejáveis.


Gostei do fato de que Walter Isaacson, conhecido como um dos melhores biógrafos atualidade, não se resumiu a simplesmente relatar os feitos de Leonardo da Vinci ou transcrever palavras de outros autores. Ele próprio, por muitas vezes, expõe sua opinião visão dos fatos. Além de deixar claro que o próprio gênio não era perfeito, relatando muitos de seus defeitos. Ele mostra o humano por trás do gênio, saindo do âmbito artístico e expondo nas páginas minúcias da mente e vida pessoal de Leonardo.

Não posso deixar de falar que o próprio ritmo do texto é extremamente agradável, mérito de Isaacson, que escreve de maneira envolvente e fascinante, fazendo o possível para conseguir manter o leitor preso aos capítulos.


E tem tanta coisa a mais que se eu fosse parar para escrever sobre tudo, esse texto ficaria enorme. Mas acreditem no prazer que é ler uma biografia sobre alguém cuja curiosidade desperta tanto interesse ao longo de tanto tempo. E pensar que tudo o que sabemos sobre ele só alimenta cada vez mais os inúmeros mistérios ainda existente sobre sua figura. 

Uma pessoa, vida e obra fascinantes. 

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