[Trechos] Mulheres Sem Nome

Imagem original: https://www.intrinseca.com.br/blog/2017/12/mulheres-sem-nome-a-historia-por-tras-da-historia/

Bom dia Divagadores, o que tem feito nesse domingo de carnaval? Eu estou aqui em casa super de boa, participando do famoso bloquinho Unidos no Netflix e tirando o atraso em algumas leituras. Hoje vim trazer uma coisa que eu havia prometido fazer sempre, que é trazer trechos dos livros que faço resenha e dessa vez trarei trechos de um livro que me emocionou muito. Só de reler os trechos que separei de Mulheres sem Nome para escolher pra postar aqui eu me arrepiei inteira e tive que segurar as lágrimas. Enfim, chega de blablabla e vamos aos trechos que separei.

— Nós choramos — contaram elas — quando todas as quatro gritaram “Viva a Polônia!” no final.
Depois disso, eu não pude mais apenas me lamentar e não agir. Será que seríamos as próximas a serem levadas ao muro de execução? Quem sobraria para contar ao mundo? Mesmo que morresse por isso, eu ia colocar meu plano em prática.
Roger arrumou um carro com motorista para me levar a Paris, e vi a França devastada passar pela janela do banco de trás. Uma coisa é ler sobre a guerra nos jornais e acompanhar o curso da ação espetando alfinetes em um mapa, mas era completamente diferente ver o país despedaçado. Já haviam passado mais de sete meses desde que as Forças Aliadas tinham ajudado a liberar Paris, mas a destruição ainda estava fresca. Quarteirões inteiros dizimados, prédios implodidos, e paredes de muitos apartamentos ainda mobiliados. O motorista precisou desviar várias vezes, já que crateras negras e trechos de pavimento do tamanho de tanques destruíram estradas ainda não consertadas. No sul de Paris, não restavam em pé nem uma ponte sobre o Sena. Ainda assim, mesmo com toda devastação, era primavera, e a cidade se erguia de forma encantadora das ruínas, o Arco do Triunfo intocado, cinco bandeiras balançando embaixo dele.
— Coisas acontecem. Adultos lidam com isso. A menos que sejam ricos e mimados…
— Mimada? Está falando sério? É mimo desistir da minha própria felicidade pela de uma criança que eu nem sequer conheço? Você tem ideia do que é acordar toda manhã sabendo que você e sua família estão juntos e eu estou sozinha? Não me fale de mimada.
— Pensei que fosse morrer quando meu pai faleceu. Foi há tanto tempo, mas não passa um dia sem que eu deseje que ele estivesse aqui. — Caroline fez um gesto em direção às flores que balançavam acima de nós. — Ele adorava lilases. É uma lembrança maravilhosa dele, mas também terrivelmente triste, ver lilases favoritos florescerem sem ele por perto.
Caroline limpou o rosto com as costas da luva de jardinagem, deixando uma mancha escura embaixo de um dos olhos, depois tirou as luvas.
— Mas é apropriado de certa maneira… Papai adorava o fato de que o lilás só floresce depois de um inverno rigoroso.
Caroline esticou o braço e colocou meu cabelo para trás, tirando-o da testa com um toque suave. Quantas vezes minha mãe tinha feito isso?
— É um milagre que toda beleza surja depois de tanta dificuldade, não acha?
— Sra. Bakoski.
Eu parei.
Herta permaneceu ali, um dos punhos fechados no peito.
— Eu…
— O quê?
— Eu só queria dizer que, bem…
Ouvia-se o tique-taque do relógio.
— Eu traria sua mãe de volta, se pudesse.
Eu a encarei por bastante tempo.
— Eu também.

E então, o que acharam desses trechos? Deu vontade de ler este livro e conhecê-lo melhor? Espero que tenham gostado. Vou ficando por aqui e espero voltar em breve com mais uma resenha para vocês.

Beijinhos e até a próxima. 

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