[RESENHA] Ordem Vermelha - Filhos da Degradação

Autor: Felipe Castilho
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Ano: 2017
Classificação: 5/5
Você destruiria seu mundo em nome da verdade?
A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono.
Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?
Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o preâmbulo da jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo, um épico sobre resistir à opressão, sobre lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino. Porta de entrada para um novo mundo com inspirações de fantasia medieval, personagens marcantes e uma narrativa que salta das páginas a cada vila, ruela e beco de Untherak. O primeiro livro de fantasia que a editora Intrínseca lança em parceria com a CCXP - Comic Con Experience, escrito por Felipe Castilho em cocriação com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa.
Olá pessoal. Feliz ano novo! Venho trazendo para vocês nossa primeira resenha esse ano. E que livro! Uma ótima maneira de iniciar 2018. Ordem Vermelha - Filhos da Degradação é uma aposta da CCXP (Comic Con Experience) junto com a Intrínseca na Fantasia nacional. Com divulgação pesada antes e durante o evento onde foi lançado, o livro chega ao mercado cercado de expectativas, tudo girando em torno do mundo e da proposta de escrever uma Alta Fantasia de ótimo nível. Vamos ver o que mais achei dessa leitura.


Em Untherak, última região habitada do mundo, os remanescentes de diversas raças - Humanos, anões, gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls - que antes o povoavam, convivem em meio ao caos, tendo na figura de Una, a Deusa de Seis Faces, um ponto que os lembra que ela é quem eles devem servir sem questionamentos. Tudo isso porque, muito tempo atrás, os humanos, movidos por medo e inveja, decidiram colocar as demais raças umas contra as outras, devido a cada uma delas ter alguma característica especial e marcante. Como castigo, os seis deuses criaram a degradação, puniram as raças por não terem mantido a paz e, por fim, uniram-se em um só para lembrá-los de seus deveres.

Narrado principalmente do ponto de vista do jovem humano Aelian, e de Raazi, da raça dos kaorshs - que possuem uma forte ligação com as cores e a natureza, podendo manipular a cor de sua pele, cabelos entre outras habilidades - Filhos da Degradação vai mostrar que o regime imposto por Una e pelas figuras por trás de muitas das histórias contadas para o povo, esconde alguns segredos, que podem ser suficientes para juntar um grupo de rebeldes dispostos a revelar todas as atrocidades cometidas e tirá-la do trono.


Como já dito na introdução a essa resenha, Ordem Vermelha surgiu como um grande desafio a Felipe Castilho, que, vale citar, deu vida a um projeto “encomendado” pelos organizadores da CCXP, dando vida a um mundo extremamente bem construído ao lado de alguns outros profissionais. Confesso que a minha primeira impressão com o projeto não foi das mais positivas, tanto que nem dei tanta atenção, mas ao longo do tempo, principalmente com a proximidade do lançamento, com toda a campanha em torno do livro e, claro, pelos comentário positivos por ser Felipe Castilho o autor da obra, fiquei mais interessado. E ainda bem que decidi dar uma chance à essa leitura, pois temos em mãos uma Fantasia da maior qualidade.


Uma das grandes estrelas dessa narrativa é a própria Untherak e o fato dela supostamente (realmente não sabemos e nem dá pra confirmar as informações, uma vez que somos tão reféns das histórias contadas por Una quanto os habitantes do lugar) ser o último lugar habitado no mundo. Felipe faz uma excelente introdução desse pequeno pedaço do mundo e, melhor ainda, não abre muito o panorama para que o leitor não acabe sabendo mais que os personagens, o que pra mim foi um ponto positivo, uma vez que somos sempre surpreendidos pela maioria das revelações feitas na história e descobrimos tudo à medida que os protagonistas descobrem. Há ainda a Degradação, o deserto que fica do lado de fora dos muros de Untherak, dos quais pouco sabemos e que fiquei ansiosíssimo para descobrir mais em uma muito provável continuação deste livro.

Sobre os personagens, tenho pouquíssimo a reclamar. Aelian é órfão, perdeu os pais ainda criança e precisou se virar para conseguir sobreviver em Untherak e, inclusive, trabalhar para pagar as dívidas da família, como Falcoeiro, no Poleiro, centro de toda a comunicação da cidade. Raazi é uma kaorsh destemida e tem o plano de vencer o Festival da Morte com a esperança de ter uma chance para dar cabo de Una. Ainda temos a presença inicialmente de outros personagens que se juntarão ao grupo, como o sinfo Ziggy, um pequenino indivíduo de uma raça fortemente conectada à natureza, que, apesar da aparência frágil e inofensiva, é protagonista de alguns dos momentos mais belos e sinceros na interação entre os personagens. Há também o anão Harun, que, sobre a raça, nada preciso citar, uma vez que ela é descrita exatamente como na maioria das obras de Alta Fantasia, mas, como personagem, é uma figura para despertar desde o início a desconfiança sobre de qual lado ele está. Temos outras duas personagens que prefiro não entrar em grandes detalhes sobre seus papéis, mas posso adiantar que uma delas, a Aparição, é figura central para a trama e a outra é o que eu considero como a presença mais fraca dentre os personagens, ainda que seja interessante.


O grande vilão, que fique claro, não é Una, e sim o general Proghon, e vocês entederão o motivo. Mas posso dizer que esse é facilmente um dos melhores vilões que tive a oportunidade de conhecer nos últimos tempos. Completo, capaz de atrocidades, mas daqueles que a gente não consegue odiar.

Como narrativa, Ordem Vermelha - Filhos da Degradação, segue fielmente os caminhos de um bom livro de Alta Fantasia, com a presença de criaturas fantásticas, poderes mágicos e etc. O mundo, como uma das figuras centrais do gênero, está aí, muito bem construído e com espaço para expansão da história, quase como um ser vivo. O livro ainda se divide em duas linhas temporais, 99% da narrativa sendo a linha principal e o restante, nas “páginas negras” em um futuro aparentemente não tão distante. Esse fato, junto com o final da obra, abre espaço para especulações e a esperança de que o livro tenha continuação, que não foi anunciada oficialmente, não que eu saiba. Mas parece uma história que cabe perfeitamente em uma trilogia, com um segundo livro continuando a linha principal, a pequena presença das “páginas negras” e avançando no tempo até que chegue ao ponto de alcançar o futuro apresentado no primeiro livro e assim encerrar a trama em um terceiro livro.


Eu só sei que quero saber mais sobre Untherak e a Degradação. O final nos deixa ávidos por saber o que vai acontecer em seguida. A edição da Intrínseca ficou excelente, com um ótimo projeto gráfico e com a presença de um belíssimo mapa no meio do livro.


Não vejo a hora de voltar ao mundo criado por Felipe Castilho. Espero que tenham gostado da resenha e fiquem ligados aqui no blog que na sexta teremos nossa postagem de melhores leituras de 2017. E estamos trabalhando para que nesse ano nossa presença aqui seja constante. É isso, até a próxima.

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário ♥

Postar um comentário