[RESENHA] O Navio dos Mortos

Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
Ano: 2017
Classificação: 4/5
Em O navio dos mortos, Loki está livre da sua prisão e preparando Naglfar, o navio dos mortos, para invadir Asgard e lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses.
Desta vez, Magnus, Sam, Alex, Blitzen, Hearthstone e seus amigos do Hotel Valhala vão precisar cruzar os oceanos de Midgard, Jötunheim e Niflheim em uma corrida desesperada para alcançar Naglfar antes de o navio zarpar no solstício de verão, enfrentando no caminho deuses do mar raivosos e hipsters, gigantes irritados e dragões malignos cuspidores de fogo. Para derrotar Loki, o grupo precisa recuperar o hidromel de Kvásir, uma bebida mágica que dá a quem bebe o dom da poesia, e vencer o deus em uma competição de insultos. Mas o maior desafio de Magnus será enfrentar as próprias inseguranças: será que ele vai conseguir derrotar o deus da trapaça em seu próprio jogo?
Magnus Chase e os Deuses de Asgard chegou para mim causando um pouco de desconforto e ódio, depois seguiu para uma dos melhores segundos livros de trilogias que eu já li e, por fim, encerra de maneira digna uma série que vai ficar marcada na história do autor.


Quem leu minha resenha do segundo livro sabe bem que eu terminei ele com um grande hype para o capítulo final da trilogia, chamado de O Navio dos Mortos, a embarcação conhecida como aquela que levará uma grande parte dos inimigos dos deuses para a imensa batalha do Ragnarök.

O Navio dos Mortos começa quase que imediatamente após os acontecimentos do segundo livro, então pouca coisa aconteceu no período entre as duas tramas. É interessante notar que tão logo começamos o livro já ficamos sabendo que a missão dada a Magnus e seus amigos já está a ponto de começar. Eles precisam impedir que Naglfar, o Navio dos Mortos, zarpe levando os gigantes de gelo e um exército de mortos para iniciar o Ragnarök.


Rick não perde tempo nos apresentando coisas desnecessárias. A trama, no geral, não consegue ter o mesmo encanto do segundo livro, onde os capítulos vêm como ondas um atrás do outro causando um grande impacto, mas, ainda assim, consegue manter o leitor grudado nas páginas, ainda que sem a mesma intensidade. Talvez esse pequeno problema tenha acontecido por conta da tentativa do autor de preencher alguns espaços da trama como os dramas de alguns personagens secundários. Algumas dessas tramas até fizeram alguma diferença no final, mas no geral, foram conflitos que poderiam ter se estendido um pouco menos. Tanto é que fica a sensação de que as grandes estrelas nos dois livros anteriores acabaram um pouco mais de lado ou cumprindo um papel de servir como base para reforçar a questão das representatividades. 

A maior vítima disso, ao meu ver, foi Sam. A valquíria inicia a trama no período do ramadã, uma tradição islâmica em que a pessoa tem que ficar de jejum por um mês, durante o período do dia, podendo alimentar-se somente à noite. Ainda que esse fator tenha sido de grande importância para o crescimento da personagem, tive a sensação de que o autor perdeu um pouco a mão e chegou bem perto de caricaturar a personagem, que é de uma religão e está inserida com importância em uma outra que é considerada pagã. Talvez seja exagero meu, mas foi a impressão que tive. Em compensação, a personagem não perde o brilho já conquistado.

A dupla Hearthstone e Blitz continua ótima como sempre. Mais um vez Hearth é o grande destaque com seus dramas familiares. Nesse volume ficamos sabendo o que aconteceu com o pai dele depois de alguns acontecimentos do livro anterior. Na sequência de capítulos em que essa trama se fecha (tendo, obviamente, importância na trama geral) o personagem enfrenta seus maiores medos e arrependimentos, ao lado do anão e de Magnus.


Alex Fierro continua como melhor personagem. A filha/filho de Loki ganha espaço e forma uma dupla e tanto com o protagonista. A química entre os dois é clara e alguns dos melhores e mais engraçados momentos acontecem quando eles estão juntos. É uma personagem que causa uma certa fascinação no protagonista, que não é lá muito bom de esconder o quanto admira Alex. A dupla também protagoniza um dos momentos mais bem escritos do livro e, porque não, romântico, ainda que em uma situação friamente dramática.

Da parte de Magnus, pouco tenho a acrescentar. O personagem só cresceu ao longo dos livros. Deixou de ser o insuportável protagonista para ser alguém legal, engraçado e um ótimo amigo.

Loki como vilão não é exatamente como eu esperava. Para falar a verdade, toda a trama envolvendo o perigo do Ragnarök acabou sendo um pouco anti-climática. O autor preferiu não ousar e matar todo mundo, o que era esperado, uma vez que seu universo mitológico continua a pleno vapor com a série de “As Provações de Apolo”, já que, o Ragnarök acontecendo seria algo que teria proporções gigantescas. O que aconteceu foi que os desafios no caminho que levam a Naglfar pareceram ser maiores e mais interessantes que o que esperava nos confins da terra gelada dos gigantes, onde o navio estava atracado. Não foi de todo ruim, mas poderia ter sido melhor trabalho e o destino de tudo não se resumir a (ATENÇÃO SPOILER À SEGUIR) uma batalha de insultos entre Magnus e o cheio de lábia Loki, ou, como está no livro, um Vitupério, que tem o objetivo de ir diminuindo magicamente o adversário até ele não passar de uma formiguinha pronta para ser esmagada.


O Navio dos Mortos é um ótimo encerramento para a trilogia. Ainda que sem a mágica e a intensidade do segundo livro, o capítulo final encerra a saga deixando excelentes personagens como herança e o gostinho de querer mais de Magnus e seus amigos. Leiam a trilogia! Uma excelente adaptação dos mitos nórdicos. 

Até a próxima!

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