[RESENHA] Matéria Escura

Autor: Blake Crouch
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2017
Classificação: 5/5
"VOCÊ É FELIZ COM A VIDA QUE TEM?" Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. Raptado por um homem mascarado, Jason é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: "Bem-vindo de volta, amigo."
Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que é este seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?
Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura nos leva a um universo muito maior do que imaginamos, ao mesmo tempo em que comove ao colocar em primeiro plano o amor pela família. Marcante e intimista, seus múltiplos cenários compõem uma história que aborda questões profundamente humanas, como identidade, o peso das escolhas e até onde vamos para recuperar a vida com que sonhamos.


Sou um grande fã de ficção científica, mesmo que não tenha lido ou assistido muita coisa da área nos últimos tempos. Um dos meus contatos mais recentes com o gênero foi com o livro “Matéria Escura”, de Blake Crouch, mesmo autor do livro “Pines”, que deu origem à série The “Wayward Pines”. Fico ainda mais interessado pelo assunto quando a história contada é mesclada com um thriller de mistério, o que deixa tudo ainda mais interessante e, no caso desse livro, grandioso. 

Uma verdadeira aula de como usar teorias do mundo real e levá-las para a ficção, resultando em uma história capaz de explodir a mente de qualquer um que lê-la. Vejam abaixo um pouco sobre o que achei da obra.


“Matéria Escura” vai contar a história de Jason Dessen, um professor universitário, casado, com filho e que alguns anos antes, justamente por conta da descoberta da gravidez da sua esposa, teve sua carreira e pesquisa “frustrados” pela vinda dessa nova fase em sua vida. Conseguimos perceber que, apesar de todos os percalços, nos dias atuais, ele já não se ressente por não ter aproveitado oportunidades do passado e ama sua família mais que tudo. Até que um dia, voltando para casa, é raptado por um misterioso homem mascarado, levado para uma usina abandonada, onde fica inconsciente, até que acorda em um laboratório, é cercado por estranhos e, o mais intrigante de tudo, é recebido como se estivesse voltando de algum lugar. Mas que lugar?


Blake Crouch utiliza uma temática bastante interessante, que é a questão de múltiplos universos, com realidades completamente diferentes e que são espécies de ramificações que acontecem por meio das ações de cada indivíduo. Na narrativa, Jason Dessen estuda justamente esse conceito e busca descobrir uma forma não fatal do ser humano ser capaz de acessar um lugar em que se pode ter acesso a essas realidades alternativas. Falar muito mais que isso pode acabar entregando bastante da história aqui contada. O que importa é, a física quântica, que estuda essa área tão interessante, é muito bem utilizada aqui pelo autor, o que não nos faz, como leitor, ficar completamente perdido na trama e em todas as explicações complexas que os personagens fazem.

Acho que não é muito entregar que o Jason que conhecemos no início do livro acabou indo parar em um desses mundos paralelos. Portanto, o livro é uma jornada sofrida e com muitas reviravoltas, de um personagem que é capaz de tudo para voltar para sua vida, sua mulher e seu filho. Nessa jornada, ele vai passar pelas mais diversas possibilidades do mundo que ele conhece. De um lugar dominado pelo gelo a um mundo completamente futurista. De um mundo dominado por uma doença fatal, a um em que pouca coisa muda em relação ao que ele já conhecia. E como eu falei, esses múltiplos universos são consequência de ações de cada indivíduo, do mínimo ao grande detalhe, então, só ligar os pontos e começar a supor o resultado de todas essas visitas no multiverso.


É com isso que falei acima que o autor trabalha os momentos finais de sua obra. Mais reviravoltas, muita discussão sobre o que é certo ou errado, sobre a importância da família e das próprias escolhas. 

Os personagens são excelentes, mas o protagonista e tudo que ele representa na trama são, definitivamente, o centro das atenções. Toda a trama gira em torno de Jason e seu conhecimento do que está acontecendo, ainda que aquele que descobriu como acessar a porta que leva para o multiverso não seja o Jason que nos é apresentado como protagonista e sim outro Jason. Ok, é bom parar pra não vir mais spoilers, certo?

A edição da Intrínseca está ótima, principalmente a capa, que, vale destacar, é dura. Projeto gráfico e diagramação também estão ótimos. Enfim, é um livro mais do que recomendado. Espero que tenham gostado da resenha e até a próxima!

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