[RESENHA] O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

Autor: Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2016
Classificação: 4/5
Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias fantásticas que o avô, Abe, contava. Na época da Segunda Guerra Mundial, o avô havia morado numa ilha remota, num casarão que funcionava como abrigo para crianças. Lá, Abe convivera com uma menina que levitava, uma garota que produzia fogo com as mãos, um menino invisível… Entretanto, todas essas histórias foram perdendo o encanto à medida que Jacob crescia. Até que, aos dezesseis anos, tudo volta à tona para se provar real.
Abalado com a morte misteriosa do avô, Jacob decide ir à tal ilha para tentar entender as últimas palavras de Abe: “Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho.” Ele encontra o casarão em ruínas, mas, ao passar por um túnel subterrâneo, o menino se vê em outra época, décadas atrás: em 3 setembro de 1940. Nesse lugar protegido no tempo, ele conhece crianças com habilidades peculiares e encontra as respostas para todas as suas perguntas. Mas o fascínio inicial logo se transforma em uma luta para sobreviver e salvar a vida de seus novos amigos.
Viagens no tempo, mulheres que se transformam em aves, crianças com dons inusitados e monstros à espreita. Bem-vindo ao lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, um fascinante mundo novo pronto para ser descoberto.
Olá pessoal. Tudo bem com vocês? Depois daquela parada básica de fim de ano, estou de volta ao blog e espero que dessa vez para enfim manter ele atualizado para vocês. Volto hoje com mais uma resenha, dessa vez de um livro que divide bastante a opinião daqueles que o leem. Falo de “O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, título da publicação pela Intrínseca, diferente do “Orfanato” da primeira publicação do livro no Brasil, antes pela Editora Leya. Confiram o que achei da leitura.


“O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” vai narrar a história de como Jacob Portman descobre que todas as histórias contadas por seu avô desde que ele era criança mostram-se verdadeiras e também cheia de mistérios e perigos. Histórias com crianças que flutuam, são invisíveis, tem abelhas dentro do corpo, soltam fogo com as mãos e muitos outros poderes.

Toda a narrativa começa a partir da morte do avô de Jacob, que se deu em algumas circunstâncias estranhas, que acabaram resultando em um protagonista um pouco traumatizado e sendo tratado pelos pais e outros parentes como alguém que estava passando por problemas psicológicos. Tudo isso dura até o dia em que Jacob viaja com o pai até a ilha onde supostamente viviam as crianças e a Srta. Peregrine, a diretora do lar onde o avô dele viveu quando criança e antes de ir para a guerra. Lá ele descobre que tudo que tinha ouvido era verdade e acaba por se envolver em algo maior que ameaçava a vida das crianças e a dele próprio.


A obra de Ransom Riggs mostrou-se completamente capaz de capturar a atenção do leitor desde o início de sua narrativa. Logo nas primeiras páginas somos fisgados por um mistério que nos instiga a continuar passando as páginas para descobrir cada vez mais sobre a veracidade das histórias contadas pelo avô do protagonista. Ainda assim, tal capacidade mostrou-se por vezes bem limitada.

Basicamente, o mistério nos mantém colados a cada página, mas o ritmo em que as coisas se desenvolvem por vezes acaba sendo um problema. Quase metade da obra vai embora antes mesmo de descobrirmos poucas coisas que sejam a respeito de toda a mitologia construída desde o início. E quando parece que vai engrenar, a história acaba sendo apressada demais em querer terminar. Claro, ao menos na minha experiência isso não foi tão prejudicial, só ver a nota que dei ao livro ali em cima, mas é algo bem visível para boa parte dos leitores.

Os personagens se mostraram bastante interessantes, exceto o próprio protagonista, que parecia que teria uma boa profundidade, mas que acaba sendo alguém que aceita fácil demais as coisas, tanto sendo convencido de que todas as histórias do seu avô eram fantasias e de que tudo era só coisa da cabeça dele, quanto com a descoberta de que tudo era ainda mais fantástico do que as histórias que ouvia durante a infância. Como a narrativa é em primeira pessoa, até mesmo a experiência de descoberta e imersão acaba ficando um pouco esquecida pela falta de uma personalidade mais forte do protagonista, que começa a mostrar algo mais concreto somente ao final deste volume.


Já as “Crianças Peculiares” acabam sendo a alma da obra. Não tanto pelo destaque em relação a sua narrativas, já que pouquíssimas delas tem uma apresentação que vá além do nome e suas peculiaridades. Ainda assim, a atmosfera que envolve o lar, as fendas do tempo, o risco constante e ainda assim continuarem com suas almas de crianças por décadas e décadas é admirável. Muitas delas conquistam sem sequer ter grande importância para a narrativa, outras conquistam ainda mais pela determinação. Olive, Bronwym, Millard, Enoch, Hugh e Emma, sem contar alguns outros, representam bem essas duas vertentes que citei para os personagens da obra.

Quanto à Srta. Peregrine, sinceramente, ainda não sei bem o que pensar sobre ela. Mas é inegável que ela é capaz de qualquer coisa para manter as crianças que estão sob seus cuidados a salvo.

Quanto aos vilões, bom, não são exatamente o ponto forte desse primeiro volume. São claramente uma ameaça e tem planos bastante perigosos e que ameaçam a vida de muitos, mas o peso deles ainda assim acaba sendo bastante diminuído.

O livro conta ainda com um pouco de romance, entre Jacob e Emma, que fica implícito logo pela sinopse. É um acréscimo interessante à obra, mas seria ainda melhor se o desenvolvimento dele não fosse tão “preguiçoso”. Ele é simplesmente jogado nas páginas, e é basicamente como se o autor dissesse: “Esses dois aqui vão ser um casal e pronto.” Claro, alguns momentos entre eles são interessantes e outros até bonitos e querendo ou não, o casal se formaria de qualquer jeito e isso não é ruim.


Por fim, a edição da Intrínseca. Gente, deu pra ver pelas fotos que ficou linda, não? Jacket, capa dura e com uma cor linda e vibrante. Na parte interna, muitos detalhes, muitas fotos, ótima diagramação, seguindo bem o padrão já comum da editora: muito texto nas páginas e ainda assim de maneira com que a leitura seja bastante agradável.

E é isso galera. Foi uma resenha que, ao meu ver, bastante crítica em relação à obra, mas que acho que consegui equilibrar bem as críticas com os elogios. Gostei bastante da leitura, tanto que devorei rapidamente o livro, apesar de seus problemas. Sim, pretendo ler a continuação e trazer para vocês em breve a resenha, porque olha, acho que as coisas vão melhorar bastante em “Cidade dos Etéreos”. Espero que tenham gostado e até a próxima.

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