[RESENHA] Deuses Americanos

Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 576
Ano: 2016
Classificação: 5/5
A saga de Deuses americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada.
Se existem autores que sabem muito bem como construir o mundo que suas histórias habitam, um desses autores sem dúvidas é Neil Gaiman. O glorioso “Sandman” está aí para provar tudo a todos. E porque não falar do inesquecível “O Oceano no Fim do Caminho”? E até mesmo “Os Filhos de Anansi” pode ser citado, mesmo que esse que vos escreve não tenha curtido tanto a obra quanto as outras duas citadas anteriormente. 

Neil Gaiman é tão importante para a literatura e para a editora que mais o publica aqui no Brasil, a Intrínseca, que esse ano, o estande da CCXP (Comic Con Experience) da nossa parceira era a floresta de Neil Gaiman - ficou lindo demais! E é para falar de mais um desses mundos desse amado autor que volto ao blog trazendo para vocês a resenha de seu livro mais aclamado: “Deuses Americanos”.

O livro vai contar a história de Shadow, que está saindo da prisão, tem pouco mais de 30 anos e quer aproveitar essa nova fase da vida para deixar tudo para trás, voltando para casa e para a esposa, Laura. O que ele não esperava é que poucos dias antes de sair da prisão, a esposa morreu em um acidente de carro. Diante do acontecimento, é liberado mais cedo e encontra-se sem lugar algum para ir, até que uma cadeia de acontecimentos o coloca de encontro a Wednesday, um homem misterioso que aparece de repente oferece um ótimo trabalho. A partir do momento em que aceita trabalhar para ele, Shadow começa uma viagem por diversas localidades inusitadas dos Estados Unidos e, junto a isso, os deuses, antigos e novos, fazendo assim um paralelo com a sociedade em que vivemos.

Neil Gaiman é um gênio. A ideia de colocar os antigos deuses de diversas culturas como seres que acompanham a migração humana para diversos países, nesse caso específico, os Estados Unidos, abre margem para a construção de uma história memorável. Em Deuses Americanos vemos essa possibilidade tomar forma, com a sociedade americana crescendo e tornando-se o que é hoje, além dos povos antigos levando suas crenças e os deuses vendo-as se alterar ao longo dos séculos até o nascimento dos novos deuses, que dão título à obra.

Os personagens são extremamente bem trabalhados, o que é uma marca já registrada do autor, que sabe muito bem como criar uma personalidade, desejos e objetivos de suas criações. O protagonista, Shadow, que acompanhamos através da narrativa em primeira pessoa consegue transmitir muito bem a sensação de descoberta e cada novo acontecimento, e a escrita de Gaiman faz parecer que estamos na pele de Shadow.

Os Deuses são um show a parte. As mais diversas mitologias são citadas na obra, o que confere certa credibilidade a uma história que pretende falar sobre deuses, antigos e novos. Para se ter ideia, podemos esperar deuses Hindus, Nórdicos, Africanos, (como uma boa referência a obra que viria anos depois, Os Filhos de Anansi) Egípcios e outros. E é interessante citar que mesmo com tantos personagens, Neil Gaiman consegue conferir a cada um deles o destaque que tais divindades merecem. Dificilmente veremos algum deles sem a devida atenção a sua participação, ainda que sua aparição seja por poucas páginas.

A temática que o livro aborda talvez seja a grande sacada, além de acabar por tornar essa obra-prima de Neil Gaiman totalmente atemporal. É possível perceber várias críticas ao consumismo, ao fato da tecnologia tomando conta de tudo em nosso cotidiano e, de nossa parte, “cultuarmos” tais coisas a ponto de, em Deuses Americanos, eles tornarem os novos deuses. Isso fica bem claro que a deusa Televisão aparece pela primeira vez na obra e expõe tudo aquilo que a elevou a tal status divino. É preciso não mais que algumas poucas palavras dela para nos darmos conta da pertinência da obra.

Lembro também que aqui, o papel dos deuses passa longe de qualquer essência divina que esteja enraizada na nossa mente. Gaiman trata de aproximá-los bastante dos humanos, principalmente pela força que eles perderam ao longo dos séculos que se passam. É totalmente normal vermos os deuses que compõem o quadro de personagens da obra tomando atitudes que sejam tão desprezíveis quanto qualquer atitude humana. Aqui eles precisam, necessitam, satisfazer necessidades completamente mundanas, como forma de mostrar como o mundo moderno está indo cada vez mais além nas nossas vidas e ofuscando crenças, costumes e elementos que são a identidade das mais diversas culturas em nosso mundo.

Quanto aos extras da edição, que já saiu por diversas editoras pelo mundo e que, por sinal, é a preferida do autor em relação ao conteúdo, não posso comentar tanto, por não ter lido a edição antiga. Essa edição da Intrínseca traz capítulos ampliados e revistos, artigos, uma entrevista com o autor, além de um EXCELENTE, sim, excelente texto de introdução. 

Fica aqui a recomendação dessa excelente leitura. Espero que tenham gostado da resenha e até breve.

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