[RESENHA] Boneco de Neve

Autor: Jo Nesbo
Editora: Record
Páginas: 420
Ano: 2013
Classificação: 4/5
Considerado seu livro mais ambicioso pelo jornal inglês The Guardian e comparado a Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris, pelo The Times, Boneco de neve é o seu livro mais arrepiante.
No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras; O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. No caso mais desafiador da sua carreira, Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.

Oi gente. De volta ao blog, depois das férias, um período que considero bem difícil para escrever, confesso. Enfim, trago a resenha do thriller policial, Boneco de Neve, de Jo Nesbo, que é o sétimo livro de uma série com o personagem Harry Hole, o protagonista. Vale lembrar que os livros não precisam necessariamente ser lidos na ordem.

Boneco de Neve vai contar a história da busca de Harry Hole por um serial killer que executa seus crimes sempre com as mesmas características. As vítimas sempre são mulheres casadas e com filhos, sempre na primeira neve do ano e usando como assinatura do crime um boneco de neve com algum pertence da vítima. Harry é um dos mais renomados policiais investigativos, mas ao mesmo tempo levanta dúvidas sobre a participação dele nas investigações, uma vez que não consegue separar a vida pessoal da profissional, além de seu recorrente problema com bebidas alcoólicas.

Para dar ainda mais peso aos acontecimentos, o misterioso serial killer planeja seus crimes com somente um objetivo pela frente: o próprio Harry Hole.

O livro já se inicia de maneira bem interessante, com um vislumbre importante sobre as motivações do próprio serial killer e também tratando de dar uma base para a narrativa que vai se desenrolar.

A trama contém tudo que um livro policial deve ter, restando a ela se destacar na forma com que esses elementos são utilizados para contar a história. E posso dizer que, em minha opinião pessoal, o uso deles por Jo Nesbo é bem sucedido. Destaco principalmente o desenvolvimento dos personagens e a importância deles para a trama. Alguns já devem ter percebido pelas minhas resenhas que um livro ganha muitos pontos comigo quando boa parte dos personagens, inclusive secundários, são bem trabalhados e possuem importância, ainda que pouca, dentro da narrativa principal.

A parte investigativa também é excelente. É o básico de qualquer livro do gênero, mas com o adicional de trabalhar muito bem o personagem Harry Hole, que, como já citei, não sabe muito bem separar o pessoal do profissional. Nesses momentos é possível perceber como ele é atormentado pelo presente e passado e em como ele se deixa ser guiado, inicialmente sem perceber, pelo próprio serial killer que ele está caçando.

Em pouco tempo o livro se torna uma disputa para ver qual mente funciona mais rápido. Em diversos momentos é possível pensarmos se Harry vai ter sucesso dessa vez.

Outro ponto interessante é sobre o fato de haver um serial killer na Noruega, um país onde a violência não faz parte do cotidiano da população. Harry sabe no início da trama que o criminoso tem grandes chances de ser um assassino em série, principalmente depois de fazer ligações entre crimes que aparentemente não tinham nada a ver entre si, mas que se faz desacreditado pela realidade distante da violência na qual ele e toda a polícia da Noruega vivem.

O livro infelizmente tem alguns defeitos, o principal deles se trata da identidade do assassino. Como sempre e como qualquer livro policial que eu leia, procuro não me atentar tanto aos detalhes que me levem a identificar o culpado rapidamente, e funcionou dessa vez, só que, diferentemente de muitos livros do gênero, a revelação não foi nada surpreendente. Quando é revelado, é fácil perceber que não precisava de tantos detalhes assim para descobrir. Na verdade, nos primeiros capítulos aqueles que leem buscando todos os detalhes, já matarão a charada e nem vão precisar de tantos assim para isso. Obviamente, a revelação pode vir a surpreender a uns e a outros, há casos e casos, como para qualquer narrativa.

A escrita de Jo Nesbo é bem ágil e vamos passar por momentos alucinantes, principalmente no último terço do livro. Podemos encontrar um marasmo aqui e ali, principalmente no começo, mas nada que prejudique tanto o andamento da trama.

Boneco de Neve se fez muito bem um livro que trata com certo afinco a relação entre personagens e familiares, que é um dos motes que coloca a obra nos trilhos e dá bastante margem para que uma trama de qualidade, com bom ritmo, personagens e etc, sejam bem construídos.

Nomes de lugares e pessoas podem ser confusos no início, mas dá para se acostumar.

E é isso, espero que tenham gostado da resenha. Leitura com certeza recomendada. Até a próxima.

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