[RESENHA] Alucinadamente Feliz

Autora: Jenny Lawson
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2016
Classificação: 5/5
Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.
É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.
Olá pessoal. Estamos de volta com mais uma resenha! E essa é muito especial. O livro de hoje é Alucinadamente Feliz e, junto com ele, trazemos nossa primeira resenha conjunta, comigo e com a Jéssica, colaboradora que chegou recentemente no blog e vai estar cuidando do nosso ainda pouco movimentado Twitter e que também tem propriedade em falar do assunto tratado no livro, já que atualmente ela passa por uma situação similar em sua vida. 

Para a divisão de texto ficar certinha, minhas partes serão com a fonte normal, como essa, e as dela serão destacadas em itálico. É isso. Vamos lá! 


Não julgue um livro pela capa...mas ria dele. Preciso fazer uma observação para a capa de Alucinadamente Feliz. Um personagem que te chama de braços abertos para um mundo de altos e baixos, onde haverá momentos que você pode e precisa ser alucinadamente feliz. 

Alucinadamente Feliz, como já fica claro pela própria sinopse, vai contar a vida da autora, Jenny Lawson, que possui, além da depressão, uma série de outros transtornos mentais. Para driblar tudo isso, após a chegada de mais uma notícia ruim na sua vida, ela decide jogar tudo para o alto e procurar viver na felicidade extrema. Deste ponto em diante, a autora começa a narrar suas aventuras, muitas delas de arrancar gargalhadas (Eu tive que me segurar para não fazer isso enquanto lia dentro do ônibus) e outras com partes sérias, onde ela fala sobre diversos aspectos da depressão. 

Para quem está no começo de um tratamento contra depressão, ansiedade generalizada e outras coisas que a psicóloga ainda não definiu, Alucinadamente Feliz traz com bom humor muitas informações sobre tratamentos e situações. Mais que isso, ele te faz refletir em meio a risadas. Um caso engraçado, por exemplo, é quando você descobre que o guaxinim da capa existe e é da própria autora. Você pensa: “Isso é fantástico. Ele (guaxinim) é tão legal quanto a minha galinha de plástico que uso para tirar fotos engraçadas, só que mais legal... poxa, é um guaxinim. E existe alguém que usa de artifícios parecidos com os meus pra sair da zona escura. ” Uma das melhores partes com o guaxinim é quando ele é colocado nas costas de um dos gatos da autora para ser um cowboy, mas ele fica preso e o gato sai correndo loucamente enquanto o marido dela presencia tudo. Tudo isso às duas da madrugada. 

São de situações tão ou mais engraçadas quanto essa que o livro é feito. E fica bem claro que sim, Jenny Lawson decidiu viver Alucinadamente Feliz, independentemente do que as pessoas pensassem das atitudes dela. 


Obviamente ela não passaria por tudo sozinha e, para isso, ela possui uma grande quantidade de amigos em sua vida. E não falo só de família, amigos e outros contatos. Como ela faz questão de lembrar diversas vezes, as próprias pessoas que acessam seu blog, compram seus livros e contam suas histórias são parte do pilar que a mantém firme para seguir em frente. Se ela pensa em alguma besteira, é só relembrar de algo que algum desconhecido lhe disse que a tenha marcado para entrar nos trilhos e seguir a vida da maneira que ela decidiu. 

Uma pessoa muito importante é Victor, o marido de Jenny. Muitas pessoas devem se perguntar como ele convive com uma pessoa com tantos problemas há 15 anos. O livro mostra para as pessoas “normais” que alguém com problemas psicológicos não vive 24 horas por dia na zona escura. Certo, as vezes pode ficar uma semana de cama, como Jenny fica, mas depois ela melhora e pronto, coisas “normais” podem ser feitas. Acho que até mesmo os transtornos definem para Victor os motivos que valem a pena viver com ela. 

O exemplo de Victor e o quanto ele é importante para Jenny é um dos elementos mais belos que compõe o que seria uma vida Alucinadamente Feliz. Ela não sabe o que faria sem ele e ele também sabe que não poderia viver longe dela. Eles têm seus problemas como qualquer casal, mas acima de tudo, fica claro o carinho e amor que um sente pelo outro. Ah, e as discussões entre eles são as melhores DR’s que vocês viram na vida. 


Finja que é boa nisso. Jenny se utiliza desse “fingimento” nos momentos que antecedem sua fala para dezenas de pessoas. Isso faz parte de um capítulo do livro que estou utilizando muito em minha mente, principalmente quando estou nas crises ou preciso levantar da cama depois de horas, para fazer algo que meu noivo pediu. “Eu sou muito boa em fazer torta de presunto. Eu estou me sentindo ótima e vou fazer a comida. ” “Eu sou boa em fazer resenhas. Nunca tive problemas em me expressar, portanto, serei ótima na minha primeira resenha. ” 

Outro ponto importante é quando ela pede ao seu marido para entrevistá-la, pois ela precisava treinar. Uma parte bem importante é quando ela responde à pergunta de como lidar com pessoas que não entendem a depressão...por favor leiam o livro e entendam. 

Eu mesmo tive a minha visão um pouco mudada depois de ler a explicação de Jenny para a depressão. As palavras dela são capazes de penetrar fundo na mente do leitor e são eficientes em causar o perfeito entendimento de parte do que se passa na cabeça de alguém depressivo. Não é simplesmente uma tristeza, ou não sair com amigos. É algo que vai além do que se pode explicar. A própria diz, quanto alguém lhe questiona os motivos para que ela perca o controle e passe dias em crise, que simplesmente não sabe o que a levou a ficar daquele jeito. 

Jenny tem uma visão altamente humorística, tem uma percepção da vida diferente, e ainda bem que ela é assim. Pois mesmo falando de coisas sérias, ela passa de uma forma leve e que se faz entender...se faz rir. 

Alucinadamente Feliz além de informativo é muito engraçado. Ela mostra que independentemente de você ter problemas mentais ou não, você passa por momentos ruins, e o melhor, isso vai passar. Você só precisa decidir se depois vai agir loucamente e continuar sua vida, agir normalmente ou aceitar as coisas ruins e ficar sempre na zona escura. Eu escolhi, depois de passar pelas crises, tirar fotos da minha galinha de plástico e fazer trocadilhos nada engraçados, exceto para mim. O livro vale muito a pena ser lido, porque vale muito você ser Alucinadamente Feliz. 

E é isso galera, espero que tenham gostado dessa resenha. A leitura está mais do que recomendada. Até a próxima!

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