[REVIEW] Vagabond - Volume 1

Autor: Takehiko Inoue
Editora: Panini
Páginas: 256
Mensal. Em andamento no Japão com 37 volumes
Ano: 2016
Classificação: 5/5
No ano de 1600 d.C., o Japão passa por um dos períodos mais turbulentos de sua história. O jovem Takezo, ao lado de seu amigo Matahachi, deixa a vila Miyamoto para lutar na Batalha de Sekigahara. Embora sonhem com fama e glória, eles somente encontram a derrota e um caminho repleto de incertezas. Acompanhe a jornada de combates sanguinolentos e desafios espirituais desse destemido espadachim, que ficou conhecido pela posteridade como o grande samurai Miyamoto Musashi! Baseado no romance épico de Eiji Yoshikawa com a sublime arte de Takehiko Inoue, este clássico dos quadrinhos é uma das obras mais premiadas e fiéis à lenda do maior herói do Japão!
Olá pessoal. Voltei trazendo algo que eu estava louco para trazer para o blog desde que foi anunciado seu lançamento no fim do ano passado. Pelo título, sabem que falo de Vagabond, mangá de autoria do mestre Takehiko Inoue e publicado pela, vejam bem, TERCEIRA vez aqui no Brasil, dessa vez pela Panini. Vou explicar um pouco mais sobre a sina da obra aqui no nosso país e claro, um pouco da história que esse mangá sensacional conta.


Vagabond é uma lenda bem antiga do mercado brasileiro de mangás. 15 anos atrás ele chegou pela primeira vez nessas terras publicado pela Conrad, em um formato onde cada volume brasileiro equivalia a metade de um volume japonês. Dessa forma o mangá foi sendo publicado até bem próximo dos volumes orientais lançados até aquela época e foi um verdadeiro sucesso por aqui, por ser uma história de samurais, material não tão comum entre as publicações já existentes, além de contar com uma arte absurdamente fantástica. 

Eis que, do nada, a querida Conrad decide parar de lançar a coleção e começar tudo de novo. Dessa vez no formato original com um adendo: A nova edição de Vagabond seria uma edição definitiva. Como assim? O mangá recebeu um capricho absurdo para a época, em uma edição que tinha direito até mesmo à sobrecapas em cada volume. Sem contar nas páginas coloridas entre capítulos e etc. Tudo isso se refletiu no preço por edição, que custava R$30. Para os que estavam acostumados a encontrar mangás à valores que variavam de R$5 a R$10, o preço foi um ótimo motivo para muitos largarem a coleção que estavam fazendo. Resultado disso: o público caiu pela metade; fãs que colecionavam no primeiro formato lançado ficaram orfãos; e mais para frente, quem decidiu investir os R$30 acabou dando de cara na porta com o anúncio do cancelamento da publicação no Brasil, em 2007.


No ainda recente ano de 2014, uma surpresa: Vagabond voltaria! E a segunda surpresa do anúncio: publicado não pela JBC, nem pela Panini, as gigantes do nosso mercado, mas sim pela novata Nova Sampa. Restava saber o que seria feito. Publicar do começo, no formato original, mas que atenda às condições financeiras do público? Pra quê? A Nova Sampa decidiu que iria fazer como a Conrad e continuar publicando a obra como uma edição definitiva, para colecionadores e, pior ainda, de onde a Conrad parou. Afinal, para quê atrair novos leitores se os fãs antigos ficaram esperando 7 anos para que alguém voltasse a publicar? Sem falar no preço, que foi basicamente a gota d’água para o segundo fracasso da obra no país: R$40. O resultado disso foi o já citado fracasso: míseras 300 cópias vendidas no BRASIL INTEIRO. Não preciso dizer que ele logo foi cancelado novamente, preciso?

E quando muitos não tinham mais esperanças que Musashi voltasse, eis que a tia Panini anuncia um retorno triunfal, com direito ao tratamento de qualidade e acesso que a obra merece. Novamente publicado no mesmo formato original japonês, com uma edição caprichada mas que torna possível um maior acesso do público. O retorno foi extremamente celebrado e as vendas do primeiro volume, publicado em fevereiro, foram um verdadeiro sucesso. Dessa forma, Vagabond enfim parece estar caminhando para um futuro de sucesso.


Agora chega de falar da parte mais triste e vamos falar de coisa boa. Afinal, que história é contada em Vagabond? De forma bem resumida, a obra vai contar a vida de Miyamoto Musashi, o mais famoso samurai do Japão. Takehiko Inoue, para criar aquela que é considerada sua obra prima, principalmente em relação à técnica artística empregada para dar vida à Musashi e os outros personagens na trama, inspirou-se no livro “Musashi” de Eiji Yoshikawa. Ainda que use como base vários pontos do livro, Inoue interpreta alguns fatos à sua própria maneira, algumas delas podendo ser bem polêmicas. 

Nesse primeiro volume, Miyamoto Musashi ainda não existe. Na verdade, seu nome de batismo é Shinmen Takezo, filho de uma família de samurais e que aprende cedo as artes da esgrima. O resultado disso é um enorme talento com espadas, sejam elas de madeira ou reais, que é demonstrado logo nas primeiras páginas. A história contada se inicia no fim da Batalha de Sekigahara, para onde foram Takezo e seu amigo Matahachi em busca de fama e glória e onde encontram somente a derrota e a falta de perspectiva de um futuro como eles sonham.


Takezo é basicamente um vagabundo (daí a principal inspiração para o nome do mangá) e vive vagando pelas cidades do Japão, eventualmente defendendo mulheres indefesas ou simplesmente buscando alguém para um duelo de espadas. O primeiro volume é bastante introdutório e serve para apresentar o personagem que se tornará Miyamoto Musashi mais para frente.

Um resumo bem básico, que se for falado mais ele acaba dando spoiler do que é o resto do volume. São alguns capítulos que já demonstram a grande maioria das qualidades pelas quais a obra é conhecida, principalmente na narrativa, ainda que se inicie de forma simples e na arte, que prima pelo realismo na representação de seus personagens. Takehiko Inoue é um mestre quando se trata de desenho e é facilmente um dos melhores nessa arte no Japão, ao lado de Makoto Yukimura (em breve resenha de outra obra do autor que não é Vinland Saga), Takeshi Obata, Kentaro Miura entre outros.


A edição da Panini está excelente, como dá para perceber nas fotos. Capa fosca com verniz localizado no título, orelhas, páginas coloridas no início do volume, papel offset de ótima qualidade e sem transparência como tem sido bastante comum em alguns títulos disponíveis no mercado.

Foi um review em que a maior parte dele foi dedicada a contar a jornada do título no Brasil, já que de história não dá pra falar muito sem spoilers. Mas fiquem ligados que, com o decorrer da publicação e caso eu traga reviews volume por volume ou com alguns volumes de intervalo entre um post e outro, eventualmente terão sim spoilers da obra.


Espero que tenham gostado e até a próxima!

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