[RESENHA] Fundação

Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Páginas: 239
Ano: 2009
Classificação: 5/5
O Império Galático possui 12 mil anos. E possui pujança, grandeza e estabilidade. Ao menos em sua fachada. Mas ele está em pleno declínio, lento e gradual. E, no final, culminará com uma regressão violenta da sociedade e a conseqüente destruição do conhecimento. Preocupados com isso, um grupo de cientistas traça um plano pela preservação do conhecimento adquirido. Vencedor do prêmio Hugo, como a melhor série de FC de todos os tempos, este é o livro inicial da Trilogia da Fundação.
Retratar a sociedade humana dezenas de séculos no futuro, que se espalhou pelos planetas da Via Láctea, ao ponto de toda a história conhecida da Terra ser apenas um minúsculo grão de areia na imensidão do universo é a proposta da Trilogia da Fundação, do mestre Isaac Asimov, considerada a melhor série de Ficção Científica e Fantasia de todos os tempos pelo prêmio Hugo especial.


A Ópera Espacial - como são conhecidas as narrativas grandiosas que se passam no espaço - criada por Asimov é admirada até os dias atuais, pela forma com que incorporou em sua narrativa elementos de nossa história como aspectos fundamentais de uma sociedade que vive a mais de dez mil anos à nossa frente e que, ainda assim, é atual no nosso tempo, principalmente considerando que a trilogia original foi publicada na década de 50.

Fundação, o primeiro volume, apresenta o leitor ao Império Galáctico e o início de seu declínio, previsto quando tudo já estava em curso por Hari Seldon, protagonista e um cientista que tem como principal área de estudo a psico-história, uma ciência que permite que previsões para uma sociedade de massa sejam realizadas a partir de dados psicológicos, sociológicos e estatísticos. A humanidade vive agora sobre as asas desse império, que já exerce, na imensa maioria dos planetas da Via Láctea, um domínio absoluto há 12 mil anos.

Nas previsões de Seldon, o Império estará acabado em 300 anos e, para recuperar-se da queda, serão necessário mais 30 mil. Para tentar conter essa enorme crise, Seldon adiantou-se e criou um plano para que tudo estivesse de volta ao normal não no tempo inicialmente previsto, mas sim em apenas um milênio. Para isso, estudiosos, cientistas e outros sob os cuidados de Seldon são enviados para dois planetas nos mais distantes confins da galáxia para que de lá possam iniciar o renascimento do Império, criando a Fundação. Neste primeiro volume acompanhamos somente o grupo do planeta Terminus, que está encarregado de escrever a Enciclopédia Galáctica, vários volumes que compilarão toda a história já conhecida e que estará por vir. 


Fundação consegue ser uma obra grandiosa de ficção científica sem investir em grandes esforços e em uma trama que seja capaz de dar um nó na cabeça do leitor. O máximo de atenção que temos que prestar à leitura são nos momentos onde são debatidos as temáticas mais profundas, ainda que fictícias - como a própria psico-história - que se fazem essenciais para a construção de uma trama imensamente política e social.

O retrato que Asimov pinta na obra é de um realismo abismal. A começar pela psico-história, uma ciência tão bem construída e embasada que pega carona na figura de Hari Seldon, personagem que mesmo depois de morto está influenciando o rumo da humanidade com as previsões feitas ainda no início do livro.

E ainda posso falar que essa não é uma obra que se apega profundamente aos seus personagens. Por se tratar de uma narrativa com uma linha cronológica extensa, estamos sempre com caras novas aparecendo, a grande maioria deles com grande importância para que tudo aconteça como deva acontecer e que são sempre lembrados no futuro como alguns dos mais importantes de seu tempo.

Isaac Asimov se preocupou ainda em criar a base para uma vida em sociedade que vive milênios e milênios no futuro. Tomando como referência diversos elementos históricos, políticos, religiosos e comerciais, o autor faz de cada planeta uma comunidade diferente, com suas particularidades e insere neles a cultura de comércio, domínio territorial por meios religiosos, preconceito, democracia, ditaduras e por aí vai. É uma riqueza de detalhes que impressiona.

A própria Fundação é um ótimo exemplo de como fazer uso desses elementos, que muitas vezes funcionam como armas muito mais eficazes para se ganhar a guerra do que as de destruição em massa. Em alguns momentos, nas crises que se abatem, eles tem que fazer uso de alguma coisa que está em maior evidência na sociedade deles atualmente. E é dessa forma que, mesmo com poderio militar limitado, a Fundação consegue ampliar seus domínios usando meios que possam, até mesmo, impedir o funcionamento de tudo que move a economia de um planeta. Para eles, basta plantar a semente certa no lugar certo.


Mas o que me deixou mais satisfeito com Fundação não é a complexidade que surge aqui ou ali, ou o capricho com que os mínimos detalhes foram pensados. O que verdadeiramente chama a atenção é a fluidez dos acontecimentos e a sensação de que, mesmo sabendo que tudo o que está acontecendo foi previsto, que para o leitor resta somente descobrir como a Fundação irá lidar com as crises que surgirão, a impressão de que não é só isso parece só aumentar e, quando damos conta, já chegamos ao final. 

A maneira com que os problemas são superados não é nenhum Deus Ex-Machina. É tudo feito com base na ciência que avançou até um ponto onde suas possibilidades são infinitas. Asimov entrega ao leitor uma trama leve, inteligente e profunda. Uma introdução espetacular à grandiosidade que ainda nos aguarda nas páginas dos outros dois livros e da quadrilogia que foi lançada na década de 80.

Uma leitura mais do que obrigatória para qualquer pessoa, do mais ávido fã de ficção científica ao que está começando hoje no mundo da leitura. Todos podem ler e se impressionar com a imensidão criada por Isaac Asimov. 

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