[RESENHA] E de Extermínio

Autor: Cirilo S. Lemos
Editora: Draco
Páginas: 248
Ano: 2015
Classificação: 4/5
Planos sinistros! Paranormalidade! Ideologias! Clones! Dieselpunk! Participe das aventuras da extraordinária família Trovão! Jerônimo, o pai, matador profissional que conta com a ajuda de uma Santa. Deuteronômio, o primogênito, tem sede de aventuras e não se importa com manchas de sangue e óleo. Levítico, o caçula, cuja imaginação fantasiosa pode conter as sementes da ordem ou do caos. E Irmã Célia, a madrasta, que tenta manter todos unidos com suas mandingas em nome de Deus.
Este é um Brasil alternativo onde o Império avançou até a primeira metade do século XX tropeçando nas próprias pernas. Quando a saúde do Imperador falha, surge a chance que os americanos precisavam para apoiar o movimento republicano. Mas os monarquistas não estão dispostos a ceder e contarão com a ajuda interesseira da União Soviética.
Olá pessoal. Demorei um pouco, mas voltei com mais resenha para vocês. Hoje trago minha opinião sobre o livro E de Extermínio, cedido em formato digital pela nossa parceira Editora Draco. Confiram o que achei da obra.

Não estaria sendo honesto se eu não começasse esse texto dizendo que eu peguei o livro para ler com pouquíssimas expectativas. A sinopse me chamou bastante a atenção na hora de escolher a obra, mas fora isso, eu não esperava muita coisa. E qual não foi a minha surpresa ao terminar a leitura e ter a certeza de que essa foi uma das melhores escolhas “às cegas” que fiz na minha vida de leitor?

Como diz a sinopse, E de Extermínio vai contar a história da família Trovão, formada por Jerônimo, o pai, que trabalha sendo assassino de aluguel, Nômio, o primeiro filho, que desde criança acompanha o pai em suas matanças, Levi, o mais novo e um dos personagens mais importantes para a trama e Irmã Célia, madrasta, ex freira e que pratica sua religiosidade de uma maneira um pouco diferente do aceitável para a época. Toda a trama se inicia com mais um trabalho que Jerônimo recebe, de exterminar alguns membros de um grupo que é a favor da monarquia, que andava aos trancos e barrancos. Só que ele não imaginava que esse trabalho viria a desencadear uma série de acontecimentos em sua vida e no Brasil.

E de Extermínio tem uma narrativa curiosa e bastante ousada, ao transformar aquele período histórico em um universo Dieselpunk, moderno e com alguns elementos sobrenaturais para dar sustento à trama. Os personagens são o ponto chave, ainda que não sejam extremamente carismáticos. Na verdade, são bem humanos e retratados com bastante qualidade, como pessoas normais, que possuem problemas e cometem erros. 

Cirilo, além disso, escreve com leveza, raramente força alguma coisa na trama e faz com que tudo aconteça da maneira mais natural possível. A qualidade de sua escrita também se sobressai quando é necessário dar um toque de ação ao que está acontecendo. Não chega a ser frenético, mas possui um ótimo ritmo.

Os elementos Dieselpunk, científicos, paranormais, se não trabalhados com cuidado, poderiam ser um grande problema quando se trabalha com um período histórico do qual já temos bastante conhecimento, creio eu. Mas o que vemos é que a proposta do autor encontra seu contexto e dificilmente vai desagradar os leitores.

Outro ponto bastante interessante é o livro trabalhar com referências a figuras históricas do Brasil e de outros países. O maior exemplo que posso dar é o personagem Protásio Vargas. Só pelo sobrenome já poderia despensar meus comentários sobre. O que vale falar aqui é que não é somente uma referência ao nome de Getúlio, mas também às decisões tomadas por ele que são reproduzidas quase que exatamente ao real no livro, claro, com suas devidas adaptações.

Apesar de toda a qualidade, a obra me incomodou em duas coisinhas. A primeira é a narrativa confusa em pequenos momentos da leitura. Não é algo gritante e nem que comprometa a leitura no geral, mas não me senti confortável de não identificar em alguns capítulos quem estava narrando logo de cara ou até mesmo com algumas mudanças do foco narrativo, de primeira para terceira pessoa e vice-versa. A segunda foi o final. Anticlimático é como eu resumiria. Algumas poucas páginas a mais poderiam ter encerrado essa excelente história com chave de ouro. Não foi nenhum final absurdo, mas, como eu disse, cortou o clima e terminou deixando a sensação de que foi apressado. Enfim, duas coisas que, em sua maior parte é mais pessoal do que um problema que possa afetar a leitura de mais pessoas. 

E é isso. É um ótimo livro de um autor nacional, com uma proposta diferente e que cumpre seu papel, ao nos trazer um Brasil desconhecido e nos proporcionar uma leitura divertida, leve e interessante. Está muito mais do que recomendado. Leiam!


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