[ESPECIAL] Semana S. Sobre Margens e Anexos


Olá leitores. Nesta quinta feira venho novamente, trazendo ao ar a penúltima postagem da Semana S. No post de ontem, deixei uma pontinha que faria ligação com o tema do texto de hoje: a história contada pelas anotações de Eric e Jen nas margens de “O Navio de Teseu” e os anexos que o livro traz com ele, para ajudar a complementar ainda mais o mistério de “S.”.

Lembram que parei no ponto onde citei algumas teorias em relação ao capítulo final de “O Navio de Teseu”, de V. M. Straka, que supostamente foi assassinado no dia que iria entregar pessoalmente ao seu tradutor F. X. Caldeira o dito capítulo? Que o próprio tradutor ao chegar no local do encontro encontrou tudo revirado e viu uma cena que ele supôs culminar na morte de Straka? Que ficamos sem saber se Caldeira pegou o capítulo ou não? 


Caldeira dá sua versão na história e o que há por trás do décimo capítulo de “O Navio de Teseu”. E esse fato é um dos principais a estimular o início da história nas margens da última obra do polêmico autor. Eric e Jen começam casualmente e aos poucos vão tomando gosto pelo mistério que o livro possui, tanto na história do personagem S. e sua jornada, quanto nas notas de rodapés que podem estar escondendo alguma coisa. Não bastasse isso, as margens não possuem nenhum indício da ordem de escrita dos personagens, a não ser pela associação das cores das canetas utilizadas, onde o leitor tem que, por si só, montar uma linha do tempo com as cores, a fim de compreender melhor certos trechos da leitura. 

Não posso passar por esse fato sem deixar de citar a dedicação de deixar tudo mais próximo do original. Para aqueles que ainda não sabem, a Intrínseca contou com um designer especializado em copiar a caligrafia de pessoas (sim, existe!), que passou meses trabalhando no texto e outros detalhes deixados pelos personagens Eric e Jen. E não foi só isso. Até mesmo as canetas e suas cores foram minuciosamente pensadas. O cuidado com a fidelidade ao material original foi tanto que chegou ao ponto de precisarem importar um certo tipo de caneta que foi o mesmo usado em alguma parte das margens porque o designer (chamaremos assim) não tinha uma que se adequasse. Eu, pelo menos, achei isso incrível. O resultado final é um verdadeiro absurdo! Realmente é como se tivessem escrito no livro à mão, sem ajuda alguma da tecnologia.

E é por falar em ajuda que os direciono ao outro assunto desta postagem: os anexos. Sim, eles são de grande ajuda, não estão ali como simples enfeites. Enquanto conversam nas margens do livro, Eric e Jen relacionam algumas partes do texto a alguns documentos, cartas, postais, fotografias e etc. Muitas dessas coisas são, inclusive, relacionadas ao Brasil, já que Caldeira é brasileiro. Afinal, nem só de investigar a vida de Straka vivem os protagonistas das margens. Obviamente Caldeira é um objeto de curiosidade e suspeita, por tudo que ele diz ter passado enquanto único tradutor das polêmicas obras do misterioso autor e pelas pistas que supostamente deixou. Alguma mensagem secreta? Quem sabe? 


Novamente, não dá para deixar de falar desse material extra. O cuidado aqui foi o mesmo, tanto nas partes onde há texto escrito, quanto com o material utilizado em cada um destes anexos. Temos papel timbrado, papel pautado, fotográfico, guardanapo e outros. Parte de tudo isso não foi sequer feito no Brasil, por conta das gráficas locais não contarem com capacidade tecnológica suficiente para fazer algo deste porte. Para “contornar” este problema, a maior parte do processo de produção do livro foi realizada na China. E não para por aí. Segundo a Intrínseca, depois que a edição e os anexos (menos o mapa no guardanapo, feito por aqui mesmo)chegaram prontinhos no Brasil, foi preciso colocar à mão cada um deles e depois fechar a caixa para que ela ficasse como vocês as encontram nas livrarias. 

Enfim, a história contada nas margens e nos anexos é intrigante e é o elemento que mais vai ajudar o leitor a desvendar os enigmas presentes na obra. Também é interessante ver como se desenvolve o relacionamento entre os dois personagens e em como eles entram de cabeça no universo de Straka, em busca de respostas para alguns dos mistérios relacionados ao autor, a ponto de até mesmo arriscar a vida na busca pelos segredos. 

Acho que dois anos de espera valeram à pena não? Quem manteve as esperanças foi certamente agraciado com um dos trabalhos editoriais mais incríveis já realizados no Brasil. “S.” é mais que um livro p... 

Esperem, isso está com clima de final não? Vamos fazer o seguinte, amanhã passo por aqui para finalizar a Semana S. de maneira digna, mesmo que seja com um texto de cinco linhas. Apareçam.

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