[ESPECIAL] Semana S. O Navio de Teseu


Boa tarde pessoal. Voltamos com mais um post sobre essa semana muito especial dedicada ao livro S., uma das experiências literárias mais instigantes que vocês terão vivido. Para dar continuidade, hoje é dia de falar sobre “O Navio de Teseu”, o livro que vem dentro da caixa com o misterioso S.

“O Navio de Teseu” é o último livro escrito por V. M. Straka, o autor fictício criado por J. J. Abrams e Doug Dorst, que é completamente recluso, não deixando que ninguém saiba sua verdadeira identidade. Além disso, pelo conteúdo que provocava algum furor no seu círculo de inimizades, é alguém que esteve por muito tempo com sua cabeça posta a prêmio, por supostas denúncias e outras coisas mais que ele colocava “disfarçadamente” nas páginas de seus textos ou comentava por meio de cartas, as quais ele fazia questão que os destinatários queimassem após a leitura. Neste livro vamos acompanhar a longa e misteriosa jornada do personagem principal, identificado apenas como S.

Mas não se enganem ao achar que nessa última obra de Straka a história contada será só a de seu protagonista. F. X. Caldeira, o tradutor oficial de todas as obras do autor, faz questão de colocar nas páginas do livro algo que Straka nunca permitiria em vida. Sim, na altura da publicação da obra Straka está supostamente morto. É por meio de notas de rodapé (algo abominado pelo autor) que Caldeira vai dando informações que possuem pouca ou nenhuma relação com o texto do livro. Qual o motivo dele fazer isso? Será que existe algo a mais do que simplesmente passar informações sobre a vida que ele levava enquanto único tradutor e “confidente” mais confiável de Straka? Isso é um mistério que o leitor tem que investigar nas dezenas destas notas que estão por todo o livro.


De volta a “O Navio de Teseu”. O último livro de Straka possui algumas singularidades. A começar pela forte presença de um mistério ao longo de toda a obra, como uma névoa que insiste em não clarear. O protagonista, S., é um personagem com muitas perguntas e pouquíssimas respostas. Desmemoriado, ele percorre cidades, navega os mares à bordo de um navio que é feito dos mais variados pedaços de outras coisas, em busca de descobrir que ligações ele tem com o misterioso “S.” que inicialmente aparece somente em um pedaço de papel amassado no bolso, mas que depois começa a aparecer nos diversos lugares que ele percorre.

E é depois de alguns acontecimentos na história que todo o mistério ganha uma camada extra, que deixa a narrativa ainda mais nublada aos nossos olhos. “O Navio de Teseu” em diversos momentos parece desconexo, quando de repente volta para emendar mais e mais pontas. O navio do título, é umas das principais fontes de mistério. Mesmo após a última linha do livro e passar por diversos trechos onde parte das perguntas relacionadas à embarcação são respondidas, ainda ficam questionamentos. É uma história que, apesar de buscar limitar o conhecimento do leitor, o impulsiona a seguir em frente e ampliar os horizontes na leitura por si só. Quando nos damos conta, pegamos o ritmo e a narrativa flui rapidamente.


Seu maior defeito é o final. Dentro da experiência “S.” como um todo, é algo completamente compreensivo e faz parte do grande quebra-cabeça. Agora, separado do contexto geral de “S.” e pensado como uma obra individual, como se Straka fosse alguém real, é um final que destoa um pouco do tom que todo o resto do livro possui. F. X. Caldeira explica algo relacionado ao último capítulo do livro, nas notas do tradutor, que tem relação com o fato de que, em certo dia, ele iria receber o último capítulo e finalmente conheceria Straka, até que, ao chegar no local da reunião, encontra algo terrível e presencia uma cena que, pouco após, ele supôs como o assassinato de Straka. 

E o capítulo final? Isso é um dos grandes mistérios da obra “O Navio de Teseu”. Caldeira dá sua versão da história e cabe ao leitor acreditar ou não no que ele diz. A verdade é que, outras versões são levantadas nas margens das páginas por Eric e Jen. Querem descobrir o que eles pensam de Caldeira, Straka, as notas de rodapés e muito mais? Apareçam por aqui amanhã que, quem sabe, mais alguns segredos serão revelados, ou não...

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