[RESENHA] A Mais Pura Verdade

Autor: Dan Geimenhart
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
Ano: 2015
Classificação: 2015
Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.
Lembram daquelas primeiras impressões de A Mais Pura Verdade que postei lá no longínquo mês de março desse ano? Pois é pessoal, sete meses depois finalmente trago para vocês minhas considerações finais, na super atrasada resenha deste livro. Preparados? Vamos lá!


Antes de falar o que achei do livro completo vou fazer um resumo da história: na obra teremos narrada a aventura de Mark e seu cãozinho super fofo Beau que tem como destino final o Monte Rainier. (se forem ver nas primeiras impressões, essa parte foi praticamente idêntica ao que falei por lá, risos) Viajar para essa montanha é o sonho da vida do nosso protagonista, porém, não é com a família que ele vai. Somente Beau lhe acompanha nesta jornada de descobertas. Ele decide ir até lá depois que descobre algo sobre o câncer que ele tem. As únicas coisas que ele leva além de seu cachorro, são seus remédios, equipamentos para se usar na montanha, caneta, bloco de anotações e sua câmera. 

Os capítulos são narrados em primeira e terceira pessoa. Em primeira pessoa temos a própria narrativa principal, que percorre os passos do garoto de apenas 12 anos rumo ao Monte Rainier. Esses capítulos sempre iniciam com uma contagem de quantos quilômetros faltam para ele chegar no seu destino final.

Com uma escrita bem leve, é fácil acompanhar a jornada de Mark e Beau e todos os percalços do caminho, a bela demonstração de companheirismo entre os dois, que mostra o quanto eles realmente amam um ao outro. Beau, por sinal, é incrível na obra, impossível não se apaixonar por tudo que ele demonstra no decorrer das páginas. Ele protagoniza um dos momentos mais angustiantes de toda a leitura, que reforça ainda mais a amizade entre ele e Mark.


Em terceira pessoa temos os capítulos que mostram Jessie, melhor amiga de Mark. Ela, dentre todos os preocupados com o garoto, incluindo os pais obviamente, é a única que sabe para onde ele foi. E é vivendo esse dilema entre contar ou não para os pais dele e as autoridades envolvidas na busca que temos uma das mais verdadeiras demonstrações de força de uma amizade que já li em uma obra literária. O valor que um amigo tem para o outro dentro de A Mais Pura Verdade é um dos principais combustíveis da obra, que conquista boa parte daqueles que se aventuram por suas páginas.

A aventura de Mark e Beau é tocante, cheia de descobertas e perigos, que deixa o leitor angustiado com tudo que acontece. Ainda assim algumas coisas são capazes de chatear alguns leitores, como o fato de Mark, pelo menos nas aparências, não aparentar ligar muito para o que os pais dele estão sentindo com essa fuga repentina dele, ainda que isso possa se justificar com o fato de ele querer sentir-se livre por um momento para fazer o que quiser sem os cuidados dos pais.


O câncer, apesar de fazer parte da vida dele, passa longe de ser o foco do livro. Claro, sabemos que ele tem essa doença e tem que lidar com ela ao longo da vida e da própria viagem, mas o autor faz questão de manter tudo bem definido sem exagerar na dose de drama proveniente da doença. 

Acho válido também falar que, apesar de emocionante, o drama não possui aquela carga que muitos outros livros do gênero fazem questão de ter, alguns bem executados, outros nem tanto. O livro tem seus momentos de ao menos deixar os olhos carregados de lágrimas, mas não a ponto de chorar. Dá para até perceber a intenção de que é pra isso que aquela cena serve, mas dependendo do leitor, não funciona. 


Retirados os defeitos, fáceis de se lidar, o livro é uma ótima pedida. O autor consegue criar encanto com o simples e isso é o que consegue fisgar ao menos um pouquinho o leitor. A escrita é leve e faz com a leitura seja feita sem dificuldades e bem rápido. A edição da Novo Conceito, desde a prévia até a final dispensa qualquer comentário negativo. Tudo muito bem cuidado, pensando e executado, o que só contribui para a experiência de leitura.

Com certeza recomendo a leitura. E é isso, próximo post, finalmente devo voltar a falar de mangás! Até a próxima.

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