[ENTREVISTA] Maurício Gomyde - Surpreendente!


Mais uma entrevista gente! Dessa vez é com o autor do sensacional Surpreendente! Quem ainda não leu a resenha já publicada, só clicar aqui. Então, sem mais delongas, vamos conhecer um pouco mais sobre Maurício Gomyde.

VD - Você é um dos autores mais respeitados atualmente no Brasil, por conta de seus livros que superam todas as expectativas e que conta com uma base de fãs bem fiéis, como pudemos ver na Bienal do Rio. Como é a sua relação com esses fãs e o quão próximo você se sente deles?

MG - Minha relação com os fãs (que eu mais considero como amigos do que qualquer coisa) é muito próxima. Como venho da escola independente, tudo o que já fiz até aqui sempre teve a participação ativa dos leitores. Seja em promoções, seja nos feedbacks que recebo, seja nos personagens que participam das histórias, muito do que fiz devo aos leitores. Em última instância, escrevo para ser lido. E não teria como eu não estar muito próximo de meus leitores. 

VD - Você imaginava que seus livros pudessem conquistar tantas pessoas?

MG - Quando comecei a escrever, jamais imaginaria. Mas acho que ainda há muito espaço a ser conquistado. Acredito que os livros não tenham atingido, ainda, nem 5% do potencial. Agora, com um pouco mais de divulgação, as histórias estão chegando mais longe. Tenho sentido isso pelo retorno que recebo via e-mail e redes sociais. Só sei que é bem bacana saber que há gente lendo o que escrevo.

VD - Quando você decidiu que ser escritor seria sua profissão?

MG - Escrever não é minha "profissão", nem trato assim. Na verdade, eu tenho outro trabalho que me consome boa parte do dia e ajuda, inclusive, no meu processo de composição das histórias. Mas saber que a escrita é uma das atividades da minha vida é uma sensação gostosa, porque nunca imaginei que chegasse até aqui. Escrever é como participar de muitos mundos em um só, e acho isso um privilégio.

VD - Entre seus livros, algum você considera o mais difícil de se escrever? Caso sim, por quê?

MG - Todos os livros tiveram suas dificuldades e facilidades, cada um a seu tempo e de acordo com a experiência que eu já tinha sobre o tema escolhido. Todo livro meu é composto de uma parte relativamente breve de escrita e uma bem longa de reescrita. Meu processo é assim, tem muita pesquisa. Então, nunca é fácil. Mas é prazeroso demais, e isso é o que faz a coisa ser levada sem grandes problemas.


VD - Agora sobre seu lançamento mais recente: Surpreendente!, pela Intrínseca. Quais os maiores desafios ao escrever esse livro?

MG - O maior desafio foi o fato de o ponto de vista ser de um personagem que está ficando cego. No instante em que acontece, o leitor fica cego junto com ele, então tive que me policiar para que não houvesse incongruências de ponto de vista. Parte do livro é feito apenas por sensações, não imagens descritas. Foi um bom desafio, acho que ficou crível.

VD - E sobre sua nova casa editorial, a Intrínseca, o que você tem a dizer sobre toda a equipe da editora? E quais as diferenças em relação à publicação independente, que foi como você iniciou?

MG - A Intrínseca é uma editora muito parceira, e isso é o que mais pesa para mim. Como vim do universo independente, em que você faz tudo (desde escrever até vender, passando por todo o processo gráfico, divulgação, booktrailer, etc.), eu precisava encontrar uma editora que potencializasse tanta coisa que aprendi ao longo do caminho. E, também, uma que me ensinasse muita coisa que não sei. Estou aprendendo demais com eles, são todos ótimos e muito competentes. Não é à toa que a Intrínseca é uma das maiores.

VD - Surpreendente! possui personagens fortes e que cativam bastante o leitor e juntos eles dão uma verdadeira lição de amizade. Como foi o processo de construção desses personagens para que tudo tivesse o resultado que vemos no livro?

MG - Eu queria que os três amigos deles fossem muito legais, daqueles amigos raros que não são encontrados em cada esquina. Os personagens que têm "problemas" são os outros, não os três (claro que todo mundo tem seus problemas, mas não quis ressaltar isso na história). Então, a ideia é a de uma história eminentemente sobre amizade. Amizade verdadeira e pura. Em suma, os três nem são muito diferentes. A composição foi bem ao estilo "eu queria ter esses três como amigos". O resultado foi uma história cativante, acho. Os leitores vão querer fazer parte daquela turma.


VD - Cinema e música estão ali, lado a lado em Surpreendente! e também em seus outros livros. Qual a sua relação com esses temas?

MG - Fui estudante de cinema por pouco tempo, e sou muito mais um amante dos filmes do que um entendido no assunto. Houve boa pesquisa para compor o livro, claro. Já em relação à música, a coisa é mais umbilical. Eu sou músico desde que me tenho por gente. Ganhei minha primeira bateria aos 9 anos de idade (e era uma bateria de verdade, não estas de plástico...rs). A relação entre a música, o cinema e a literatura é total! Um não viveria sem o outro. E trato meus livros assim, tudo junto e misturado.

VD - Imagino que, para um road book, viajar pelos mesmos caminhos dos personagens deve fazer parte da aventura da escrita. Como é a experiência de escrever algo do tipo e, se andou, por onde andou enquanto criava Surpreendente!?

MG - Conheço bem a estrada que eles cruzaram. Conheço os cenários, estive lá. Durante minha carreira de músico, percorri muitas estradas, dormi em barracas, em qualquer canto, no chão e onde desse. Foi minha experiência das road trips com os amigos de banda que me levaram a escrever o livro. Eu sabia o que estava escrevendo, porque estive lá. 

VD - Seus livros e personagens, em geral, possuem um pouquinho da pessoa Maurício Gomyde?

MG - É impossível, pelo menos no meu caso, criar personagens que não tenham nada a ver comigo. Sempre há muito do que penso, minhas próprias convicções. Acho que eu gostaria de ser alguns de meus personagens...rs.

VD - Já possui planos para uma próxima obra, ou, por enquanto, Surpreendente! é seu principal foco?

MG - Por enquanto estou focado na divulgação do Surpreendente!, mas já estou escrevendo o próximo. Acho que encontrei uma boa história e estou burilando os detalhes para, então, sentar e escrever. 

VD - Por favor, para encerrar, poderia deixar uma mensagem para nossos leitores e também para aqueles que sonham em ter um livro publicado?

MG - Acho que todo mundo que quer escrever um livro tem que sentar e escrever. Simples assim! Toda pessoa é um contador de histórias, e o que falta, muitas vezes, é a disciplina de meter a mão na massa. E uma coisa que sempre digo: viva intensamente a história que você está contando. Aprenda com seu personagem, conheça novos lugares, novas músicas, novos temas. No mínimo, ao final do livro você estará melhor do que entrou. E o bom da vida é isso, a gente crescer e aprender constantemente.

E é isso pessoal. Espero que tenham gostado da entrevista tanto quanto nós gostamos. Milhões de agradecimentos ao autor e lembrem-se: LEIAM Surpreendente! vocês não irão se arrepender. E fiquem de olho, talvez ainda venha mais uma postagem relacionada ao livro, feita, dessa vez, pela Gisele, só para vocês terem ideia do quanto amamos a leitura! 

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