[RESENHA] Garota Exemplar

Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Ano: 2014
Classificação: 3/5
Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do Rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.
Oi gente, tudo bem? Mais uma resenha pra vocês. Continuo atrasado com todas as resenhas que tenho para botar em dias, mas de pouquinho em pouquinho em algum momento eu consigo isso. O livro de hoje é Garota Exemplar, livro que, para mim, foi um grande exemplo de frustração quando se vai com muita sede ao pote. Confiram a resenha e entendam.


Garota Exemplar vai contar a história de Nick e Amy Dunne, que inicialmente parecem um casal absolutamente feliz, que estão passando por mais um aniversário de casamento. O problema de tudo isso foi justamente o casamento, que eles percebem não ser tudo aquilo que esperavam que fosse, principalmente em vista da vida que levavam quando não eram tão fortemente comprometidos. Sentiam-se livres, como qualquer casal de namorados apaixonados. Até o início do casamento era tudo mil maravilhas, a sensação de liberdade dos dois, como eternos amantes era tanta, que o sexo em locais públicos para eles era um grande prazer e desafio. Mas não é isso que vem ao caso dentro da trama do livro.

Cinco anos, esse é o tempo que os dois já estão casados no presente do livro. Tudo está desgastado, Nick não suporta mais viver ao lado da esposa, que antes era a garota mais encantadora e desafiadora que ele já conhecera.

Na manhã de mais um aniversário de casamento dos dois, por sinal comemorados com a tradição de todo ano dar um presente relacionado a algum material específico, como papel, madeira, e também uma caça ao tesouro, até o presente, organizada por Amy, que testava Nick para ver até onde iam as boas lembranças do relacionamento dos dois. Acertando, eles iriam até o próximo ponto e assim por diante, até que o presente do ano fosse encontrado. Voltando, naquela manhã, Amy desaparece misteriosamente de casa. Nick, ao retornar, encontra a sala completamente revirada e imediatamente chama a polícia, que passa a investigar o caso.


A primeira hipótese é a de um crime violento, um provável sequestro ou até mesmo assassinato. O diário de Amy revela coisas que são sumariamente importantes para a resolução do caso, onde tudo aponta para o provável assassino. Quem é o suspeito? Nick Dunne. Ele alega inocência, mas não consegue convencer, muito menos deixar de contar mentiras e mais mentiras. Suas atitudes como se estivesse completamente indiferente ao acontecido só aumentam as suspeitas, ainda mais por ser tão diferente do Nick retratado por Amy em seu diário.

Garota Exemplar é um livro inteligente, muito inteligente! A autora escreve de uma maneira tão detalhista e com tanto domínio da história que quer contar que esse talvez seja o detalhe mais impressionante dentro da obra. Gillian Flynn não acelera demais as coisas, mas também não deixa tudo muito arrastado, com excessão das primeiras 140 páginas, que ameaça fazer o leitor desistir da leitura, meu primeiro grande problema na obra. Daí vem um grande plot-twist, ainda tão cedo e que muda completamente o rumo da história. A autora consegue, mesmo com todos os riscos de se perder, continuar seguindo com uma qualidade que surpreende e fisga o leitor. Mas foi aí que veio meu segundo problema, já que eu esperava que essa virada fosse mais impactante. Devido à expectativa que gerei pela leitura, a achei óbvia e sem todo aquele peso que muitas pessoas colocam nela. Ainda assim não nego a importância e nem a genialidade que se seguiu a partir desse ponto.


Os protagonistas estão longe de ser clichês, muito, muito longe! Não é nada comum encontrar personagens protagonistas de suas histórias que sejam como esses dois são. Eles fogem daquela ideia comum de que o protagonista tem que ser o mocinho, alguém bonzinho e que só quer a paz para o mundo, levar uma vida legal, derrotar o vilão (entendam que só estou pegando exemplo e não criticando essa forma de escrever uma história, há muitas obras por aí nesses modelos que são sensacionais!). Nick é um completo babaca, idiota, mentiroso. Quanto mais ele tenta se livrar no problema, mais afunda nele. Tudo isso por conta de suas mentiras e suas atitudes durante a investigação do caso. O que eu achei mais inteligente na construção desse personagem são as suspeitas em torno dele. Estamos ali, lendo do seu ponto de vista e sabemos que ele não é culpado, porém, justamente devido a essa personalidade e a forma com que ele se afunda nos problemas, a autora acaba criando na mente do leitor uma possibilidade de que talvez ele realmente tenha feito alguma coisa contra Amy. É com esse jogo psicológico que Gillian Flynn consegue manter o leitor atento e aflito com os acontecimentos.

Já Amy é praticamente uma psicopata. Inteligente, detalhista, que consegue esconder facilmente sua verdadeira personalidade por trás de uma personagem amável, encantadora, sagaz. Como casal, os dois sustentam tantas mentiras no relacionamento, fazem tudo parecer tão lindo quando na verdade, a verdade, a honestidade, alguns dos principais elementos que devem constituir um casamento, não estão nem perto de estarem presentes. E é por conhecerem tão bem um do outro que tudo isso ganha mais intensidade. O problema é que eu não gostei deles, não só por conta de todos os fatores negativos que constroem a personalidade desses dois. Eu mesmo acho difícil definir o porque de não ter gostado dos personagens, que são brilhantemente construídos e por mais que eu admita que sem eles essa história não seria a mesma coisa.


O livro tem um início chato, uma segunda metade até quase o final excelente e o final imensamente criticado. E eu fico do lado que critica. Ele vai um pouco contra boa parte do que é escrito e determinado durante toda a trama e sem toda a intensidade que permeia a maior partes das páginas anteriores a ele. Ao menos não teve a previsibilidade do ponto de virada da história.

É uma obra divisora de opiniões, por mais que a maioria esmagadora a considere como uma das melhores do gênero. Talvez até mesmo eu a considere como uma dessas melhores, por conta da inteligência de Gillian Flynn na sua forma de conduzir os personagens por caminhos e temas pouco explorados em suspenses mais psicológicos. Porém, o início, os personagens e principalmente o final pesaram bastante na minha experiência final, que acabou não sendo tudo aquilo que eu esperava.

A expectativa foi alta e me derrubou, me frustrou. Mas vai lá, é uma obra sensacional, com seus problemas, que vocês talvez nem mesmo encontrem. Leitura super recomendada pelo brilhantismo presente em suas páginas e por forçar a mente do leitor a diversos rumos. E em breve eu falo sobre a adaptação para os cinemas, então fiquem no aguardo.

É isso, espero que eu tenha me feito entender. Até a próxima!

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