[RESENHA] Ordem

Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca
Páginas: 512
Ano: 2015
Classificação: 5/5
Em Ordem, os personagens escapam da morte ao serem congelados em cápsulas criogênicas, sendo acordados de tempos em tempos para tomar remédios, realizarem alguns trabalhos alienantes e depois dormir outra vez. O livro volta no tempo, ao ano de 2049, revelando as decisões tomadas por alguns poucos poderosos, responsáveis por bilhões de mortes que deixarão a humanidade em vias de extinção.
A narrativa torna-se claustrofóbica e contrita à medida que a humanidade é forçada a viver no silo e a tomar medicamentos que a fazem esquecer a destruição infligida aos amigos e parentes. Ao contar uma história que se passa em um futuro bem próximo, Howey cria um apocalipse totalmente convincente e, à medida que revela as camadas de seu mundo distópico, pavimentando o caminho para a sequência da série, "Legado".
Leituras Pós-Apocalípticas existem aos montes por aí, mas duvido que muitas delas tenham o mesmo nível de detalhes, enredo, escrita e personagens quanto a história criada por Hugh Howey. Há algum tempo atrás falei sobre o primeiro livro de sua trilogia, Silo e hoje, enfim, trago para vocês a resenha da continuação: Ordem.


Primeiramente, um resumo rápido do mundo de Silo. Nesse mundo pós-apocalíptico criado por Hugh Howey, a Terra possui agora uma atmosfera tóxica que impede a sobrevivência da raça humana. Os sobreviventes vivem agora em silos subterrâneos, presos sem fazer muita ideia do que acontece no exterior, a não ser por uma tela que mostra como está o mundo lá fora. No primeiro livro acompanhamos a jornada de Juliette, nascida nos níveis mais baixos e que torna-se Xerife quando seu antecessor decide que quer fazer a limpeza (sair para fora do silo, para limpar as câmeras que capturam as imagens do exterior e consequentemente, morrer fazendo isso.)

O primeiro livro é cheio de reviravoltas, mesmo não tendo um ritmo alucinante como característica. O que mais me instigou nele foi o nível de detalhes da trama, muito bem construída para parecer algo realmente real e, de certa forma, possível de se acontecer.

Ordem segue duas frentes narrativas, passado e presente. No passado, que se estende por séculos, até os acontecimentos do primeiro livro, sabemos como tudo começou. Vemos que alguns poderosos estão diretamente envolvidos, não só na construção dos silos, mas também na morte de bilhões de pessoas.


O segundo livro, começa no ano de 2049, contando sobre o passado e as tramas envolvendo os responsáveis por tudo que aconteceria. A política é um tema frequente na série e nesse segundo volume a coisa não poderia ser diferente. Essa política é bem forte na trama do passado, onde está sendo desenvolvido o projeto de criação dos silos. 

Donald Keene e Paul Thurman, deputado e senador respectivamente, são os principais personagens do passado. Thurman, por sinal, é o chefe de todo o projeto e comanda todas as ações necessárias para que tudo seja possível de acontecer. Donald foi eleito a pouco tempo e vê na possibilidade de trabalhar em um projeto secreto como esse uma oportunidade de crescer na política, portanto, colabora com tudo, mas por boa parte do tempo não se sentindo confortável com a ideia. Ele trabalhava e fazia o melhor que podia dentro do que lhe era atribuído, mas buscava respostas sobre a necessidade de uma construção desse tipo e tudo que recebia eram informações que não respondiam nenhuma de suas dúvidas. 

Entre esses capítulos, temos um salto de mais de meio século, para o ano de 2110 quando o personagem Troy é acordado de uma hibernação, no Silo 1, para que possa iniciar seu primeiro turno. Os turnos são uma novidade na narrativa da série. O Silo 1 é o principal das construções, que controla tudo que pode ou não pode acontecer nos demais silos, para isso, as pessoas que vivem nele precisam trabalhar em turnos, sem a permissão de reprodução, como acontece com as demais construções. Troy foi acordado já sendo informado que tinha sido promovido e que iria supervisionar todos os 50 silos construídos. Não bastasse isso, ele não se lembra de nada, vive tomando remédios obrigatoriamente e quando suas memórias parecem estar voltando, elas desaparecem novamente, deixando sua mente em um estado de turbilhão que parece não ter fim.

Chega um ponto da obra, ainda no seu início, em que o passado mais distante, ainda quando a humanidade vivia na superfície da Terra, tem seus capítulos encerrados. Para preencher essa lacuna, Hugh Howey insere novos personagens e acontecimentos, ao longo de mais de 300 anos a partir de 2110 que se interligam de uma maneira incrível. Em 2212, Mission Jones, um portador, que funciona como uma espécie de entregador de correspondências, vive em uma época onde o desejo de independência e liberdade aflora nos habitantes de seu silo, que essas pessoas pretendem alcançar com uma revolta prester a acontecer.


Cem anos depois, em 2312, Jimmy Parker, um garotinho, vê o silo se revoltar de um dia para o outro. As escadas estão intransitáveis, com uma imensa quantidade de pessoas lutando para subir e sair do silo, em uma expectativa falha de liberdade e uma nova oportunidade na vida. Nos níveis inferiores uma batalha era travada entre os que ficavam. Jimmy se vê separado da mãe e quando vai procurar o Pai na TI, teve sua vida ameaçada, sendo salvo pelo pai, que o obriga a ficar escondido em um abrigo logo abaixo na sala dos servidores, servido de uma imensa quantidade de mantimentos e também estantes abarrotadas de livros, que contavam histórias do passado.

Temos mais acontecimentos para frente, mas que prefiro não revelar os próximos anos por que seriam spoilers imensos sobre a trama. Mas acreditem, a ligação entre esses eventos mais acima e os do primeiro livro são conduzidos de maneira magistral por Hugh Howey. Sim, temos a continuação do papel de Julliete em tudo isso, mesmo que a aparição dela seja curta, que por sinal, é uma das partes do presente da história, mas o clímax dessa trilogia fica para o próximo livro.

Sobre tudo que foi apresentado em Ordem, pouco posso colocar como defeito. Talvez o maior problema da obra seja o excesso de informação que temos, que torna a leitura arrastada em certos momentos, porém, as informações, pelo menos boa parte delas, se fazem necessárias para entender tudo que está acontecendo. Sim, há coisas desnecessárias, mas boa parte do que temos acrescenta muito no que o autor construiu ao longo dos dois livros.

Ordem, assim como Silo, é forte na ação e reviravoltas. Particularmente, nesse quesito, gostei mais do primeiro livro, porém esse não fica muito para trás. Agora, o ponto mais forte da obra são as consequências que as revoltas nos silos, a tal busca pela liberdade, são capazes de despertar no ser humano. É uma briga pela sobrevivência, mas que Hugh Howey descreve como tudo realmente é e que podemos utilizar como retrato da nossa sociedade atual, onde a solidão, violência, mortes por motivos ridículos são sintomas da triste decadência da humanidade. Mas ainda há esperança.

Essa é uma ótima obra e vale muito a leitura para quem gosta de algo do gênero. O final do livro só deixa o leitor com uma enorme vontade para que o terceiro e último finalmente seja lançado por aqui. Vamos aguardar! 

Se chegarem até aqui depois de ler essa enorme resenha, muito obrigado! Até a próxima.

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